quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Thiamazole Pretreatment Lowers the 131I Activity Needed to Cure Hyperthyroidism in Patients With Nodular Goiter

Aglaia Kyrilli, Bich-Ngoc-Thanh Tang, Valérie Huyge, Didier Blocklet, Serge Goldman, Bernard Corvilain, and Rodrigo Moreno-Reyes

J Clin Endocrinol Metab 2015, 100: 2261–2267.

Trata-se de um estudo randomizado comparando o uso de metimazol (MTZ) versus dieta pobre em iodo (LID) antes do tratamento com iodo radioativo (I-131) em pacientes com hipertireoidismo subclínico por bócio multinodular (BMN). O metimazol interfere na produção de T3 e T4, elevando o TSH e também causa depleção do estoque de iodo, o que tornaria a tireoide mais ávida por iodo, aumentando sua captação e, portanto, otimizando seu aproveitamento quando administrado para tratamento. Vinte e dois pacientes portadores de hipertireoidismo subclínico devido a BMN e com captação de radioiodo menor que 50% em 24 horas foram randomizados para receber LID ou MTZ 30mg por dia por 42 dias antes da dose de I-131. A dose de I-131 foi calculada através da fórmula que leva em conta o tamanho da tireoide (aferida por SPECT-TC ou RNM de região cervical), a captação de iodo em 24h e a Required activity (90-200 mCi por grama de acordo com o tamanho da tireoide para compensar a elevada radio-resistência de glândulas grandes). Apesar de definir-se como estudo “caso-controle randomizado”, a randomização não foi efetiva em “equilibrar” os grupos em relação ao tamanho do bócio - o grupo LID apresentou uma mediana maior do volume tireoidiano: 87g (P25-75 45 a184g) vs. 55g (P25-75 29-63g) em relação ao grupo MTZ. Um dos pacientes teve o uso de metimazol suspenso após apresentar urticária e elevação de transaminases e não entrou na análise final.  
No grupo MTZ houve aumento da captação de I-131 em 2 vezes, possibilitando a redução da dose terapêutica calculada de 16mCi para 11 mCi (dose pré e pós uso de metimazol, respectivamente). O tratamento com I-131 curou hipertireoidismo em todos os pacientes independente do grupo, sendo que o grupo MTZ recebeu doses menores. Houve mais casos de hipotireoidismo (2/10 vs. 0/12) após 12 meses no grupo MTZ vs.LID. Durante o Clube foram discutidos os seguintes pontos:
·         Trata-se de artigo de baixa qualidade metodológica, com randomização duvidosa, onde se observou que bócios maiores foram alocados para o grupo controle (LID);
·         O tratamento com radioiodo foi efetivo em ambos os grupos para curar o hipertireoidismo no final de 12 meses de tratamento. Por aumentar a captação de iodo, houve redução da dose (de 16 para 11 mCi) calculada de radioiodo-131 no grupo MTZ, porém esta diferença não parece ser clinicamente importante considerando-se potencial menor risco de contaminação pessoal, profissional ou ambiental que justifique o uso de MTZ pré-radioiodo;
·         O resultado deve ser visto com cautela, visto que o uso de metimazol determinou 2 casos (20%) de hipotireoidismo na população e 1 caso de urticária e elevação de enzimas hepáticas, o que não foi observado no grupo controle.

Pílula do Clube: O uso de metimazol antes da radioiodoterapia aumenta a captação de iodo pela tireoide, determinando menores doses terapêuticas de radioiodo-131, porém leva a mais casos de hipotireoidismo.


Discutido no Clube de Revista de 24/08/2015.

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