terça-feira, 25 de setembro de 2012

Comentário do Clube de Revista de 27/08/2012


Effects of interventions in pregnancy on maternal weight and obstetric outcomes: meta-analysis of randomised evidence
S Thangaratinam, E Rogozińska, K Jolly, S Glinkowski, T Roseboom, J W Tomlinson MRC, R Kunz, B W Mol, A Coomarasamy, K S Khan

BMJ 2012; 344:e2088

      Nesta revisão sistemática com metanálise foi avaliada a efetividade e segurança de intervenção dietética para controle de peso durante a gestação. Para isso os autores selecionaram estudos que avaliassem intervenções visando menor ganho de peso (alterações no estilo de vida ou medidas dietéticas) em gestantes e sua influência no peso materno e em desfechos gestacionais. Foram excluídos estudos com gestantes de baixo peso (IMC < 18,5). Na análise final foram incluídos 44 estudos (n=7278). As intervenções (exercícios, estilo de vida ou dieta) foram associadas com ganho menor de peso ao longo da gestação (1,48kg), sem efeitos no peso do RN ou na taxa de GIG e PIG (grandes e pequenos para a idade gestacional, respectivamente). As análises secundárias evidenciaram menor taxa de pré-eclâmpsia e menor peso do RN, bem como as medidas dietéticas foram as mais efetivas para menor ganho de peso (diferença de 3,84 kg entre os grupos). De forma geral as intervenções foram seguras, com redução de distócia de ombro e tendência de redução de mortalidade intrauterina (RR 0,15, p=0,07). Durante o Clube de Revista os seguintes pontos foram discutidos:
  • A seleção dos estudos parece ter sido adequada, com critérios de seleção amplos;
  • Os estudos incluídos envolviam intervenções bastante heterogêneas, bem como populações diferentes (obesas e não obesas; com e sem DMG);
  • De uma forma geral intervenção visando menor ganho de peso na gestação foi efetiva, segura e com potencial de prevenir desfechos materno-fetais;
  • Dentre as diferentes intervenções, as medidas dietéticas parecem ser as mais efetivas;
Pílula do Clube: intervenções visando menor ganho de peso durante a gestação são efetivas e seguras, com potencial de prevenir desfechos maternos e fetais. Dentre as medidas avaliadas, dieta parece ser a mais efetiva.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Comentário do Clube de Revista de 20/08/2012


The effects of lowering LDL cholesterol with statin therapy in people at low risk of vascular disease: meta-analysis of individual data from 27 randomised trials

Cholesterol Treatment Trialists’ (CTT) Collaborators*

Lancet 2012; 380: 581–90

            Nesta metanálise de dados individuais de estudos participantes do CTT (sem realização de revisão sistemática da literatura), foi avaliado o papel das estatinas sobre eventos cardiovasculares e mortalidade cardiovascular e geral. Foram incluídos ECRs controlados (estatina vs. controle ou doses maiores de estatina vs. doses menores de estatina) avaliando a redução de desfechos cardiovasculares em pacientes com diversos níveis de risco cardiovascular basal (<5% até > 30%), o qual foi calculado com base nos desfechos cardiovasculares ocorridos em 5 anos dos grupos controle dos mesmos estudos. Foram excluídos estudos com menos de 1000 pacientes e menos de 2 anos de  acompanhamento. Foram incluídos 27 estudos, total de 174.149 pacientes, estratificados de acordo com o risco basal de desfechos cardiovasculares em 5 anos. O tratamento com estatinas foi associado com redução de 21% em eventos vasculares maiores (desfecho principal do estudo) para cada redução em 39 mg/dL de LDL, sendo esta redução estatisticamente significante mesmo nos estratos de menor risco basal e em prevenção primária. Durante a discussão do Clube de Revista os seguintes pontos foram:
  • Não foi realizada revisão sistemática da literatura, que é a principal ferramenta para garantir a fidedignidade dos dados de uma metanálise;
  • O risco basal dos pacientes foi calculado a partir dos grupos controle (placebo ou doses menores de estatina), não sendo usados escores mais frequentemente utilizados na prática clínica (p.ex: Framingham), reduzido a validade externa dos dados;
  • Foram incluídos pacientes com eventos prévios, mesmo nos estratos de menor risco (10% ou menos em 5 anos), impossibilitando a generalização dos dados para prevenção primária;
  • O uso de estatinas na redução de desfechos (para cada redução de 39 mg/dL de LDL) foi significativa nos pacientes de baixo risco apenas para os desfechos combinados. Para mortalidade geral e cardiovascular, o uso de estatinas em pacientes de baixo risco não foi benéfico.
Pílula do Clube: o uso de estatinas em pacientes de baixo risco em prevenção primária não pode ser recomendado a partir dos dados deste estudo. Para prevenção de desfechos em pacientes de risco mais elevado e prevenção secundária o presente estudo não adiciona informação nova em relação aos estudos prévios.

Lower versus Traditional Treatment Threshold for Neonatal Hypoglycemia

van Kempen AAMW, Eskes PF, Nuytemans DHGM, van der Lee JH, Dijksman LM, van Veenendaal NR, van der Hulst FJPCM, Moonen RMJ, Zimmermann LJI...