sábado, 27 de fevereiro de 2016

The effects of whey protein with or without carbohydrates on resistance training adaptations

Juha J. Hulmi, Mia Laakso, Antti A. Mero, KeijoHäkkinen, Juha P. Ahtiainen and HeikkiPeltonen

Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2015 12:48

Trata-se de ensaio clínico randomizado, duplo cego, com objetivo de avaliar os efeitos do uso de diferentes regimes de suplementação nutricional (wheyprotein com ou sem carboidratos) após treinamento de força (musculação), na composição corporal, força muscular e perfil lipídico.Os participantes foram submetidos a período preparatório inicial de 4 semanas para padronizar o treinamento. Após, os mesmos foram randomizados em três grupos:30g de wheyprotein (n=22), maltodextrina (n=21) e wheyprotein + maltodextrina (n=25), todos com teor calórico semelhante. Dentro de cada grupo, os participantes eram subdivididos em outros dois grupos para as 12 semanas de treinamento de força, sendo um com enfoque em hipertrofia e força e o outro com enfoque em hipertrofia, força e potência.Os suplementos eram líquidos e ingeridos imediatamente após a sessão de treinamento, 2 a 3 vezes por semana. A composição corporal e outros desfechos eram aferidos por DXA, ultrassonografia muscular panorâmica e força máxima no legpress.
Doze semanas de musculação aumentou a massa magra, tamanho e força muscular independente da suplementação pós-treino (P <0,05). Quando avaliado por DXA o grupo que utilizou whey protein reduziu mais a gordura total e abdominal quando comparado com o grupo whey/maltodextrina (P <0,05). Além disso, um grande aumento relativo (por kg de peso) na massa magra foi observado no grupo whey protein vs. maltodextrina (P <0,05), o que não foi diferente em relação ao grupo combinado. Não houve diferença quanto aos valores de lipídios. Durante o clube de revista foram discutidos os seguintes pontos:
·         Exercício de forçaper se é capaz de melhorar força e tamanho muscular além de aumentar porcentagem de massa magra e o fato de não haver um grupo controle sem suplementação nenhuma não permite afirmar que os resultados não sejam somente decorrentes do exercício;
·         Não foi realizado cálculo amostral para alcance de poder estatístico necessário para comprovar os achados mais relevantes;
·         Foram realizadas muitas subdivisões dos grupos em estudo, o que diminuiu a amostra em cada extrato e reduziu ainda mais o poder estatístico do estudo;
·         Além do estudo avaliar o uso de wheyproteinapenas em curto prazo, o uso dos suplementos era realizado apenas em dias de treinamento, 2 a 3 vezes por semana, talvez não sendo suficiente para demonstrar possíveis benefícios maiores do wheyprotein;
·         Não houve discussão sobre o melhor período para consumo do suplemento, nem qual o melhor tipo de wheyprotein a ser utilizado.

Pílula do clube: Treinamento de força aumenta a massa magra, tamanho e força muscular independente da suplementação pós-treino utilizada. O uso de suplementação de whey protein sozinho no pós-treino de força parece trazer benefícios em aumento de massa magra e redução de gordura abdominal quando comparado com maltodextrina.


Discutido no Clube de Revista de 25/01/2016.

Effect of Reversible Intermittent Intra-abdominal Vagal Nerve Blockade on Morbid Obesity:The ReCharge Randomized Clinical Trial

Sayeed Ikramuddin, Robin P. Blackstone, Anthony Brancatisano, James Toouli, Sajani N. Shah, Bruce M. Wolfe, Ken Fujioka, James W. Maher, James Swain, Florencia G. Que, John M. Morton, Daniel B. Leslie, Roy Brancatisano, Lilian Kow, Robert W. O’Rourke, Clifford Deveney, Mark Takata, Christopher J. Miller, Mark B. Knudson, Katherine S. Tweden, Scott A. Shikora, Michael G. Sarr, Charles J. Billington.

JAMA 2014, 312(9):915-22. 


Trata-se de ensaio clínico randomizado multicêntrico (EUA e Austrália), duplo-cego, avaliando uso de dispositivo que bloqueia o nervo vago contra dispositivo sham (placebo) em relação à perda de peso. Foram incluídos 239 pacientes com índice de massa corporal (IMC) de 40 a 45 Kg/m² ou acima de 30 Kg/m² com comorbidades (HAS, DM, SAHOS, cardiomiopatia associada à obesidade). Os pacientes com DM foram limitados a 10% do total da amostra. O dispositivo de bloqueio do nervo vago é implantado por laparoscopia. Os eletrodos são colocados junto aos nervos vago anterior e posterior na junção gastroesofágica. Estes eletrodos são conectados a um neurorregulador recarregável implantado no subcutâneo. O neurorregulador é programado para liberar carga por pelo menos 12 h/dia. Os participantes do grupo placebo eram submetidos a cortes na pele para mimetizar uma laparotomia e o neurorregulador era implantado no subcutâneo, programado para liberação de carga no circuito eletrônico, porém sem conduzir. O desfecho primário foi a porcentagem média de excesso de peso perdido (margem de superioridade de 10%). O objetivo de eficácia secundário foi que 55% do grupo ativo alcançaria 20% de perda de excesso de peso e 45% alcançaria 25% de perda de excesso de peso. O objetivo de segurança foi atingir taxa de evento sério < 15% no grupo ativo. 
Ao final de 12 meses, o grupo ativo (VBloc) perdeu 24,4% do excesso de peso vs.15,9% no grupo sham. Apesar desta diferença da perda de peso entre os grupos, o desfecho primário não foi alcançado (esperava-se que a diferença entre os grupos fosse superior a 10%). O grupo Vbloc apresentou maior incidência de dor abdominal, disfagia e eructação do que o grupo sham. Durante o clube de revista foram discutidos os seguintes pontos:
·         Este é um procedimento invasivo com efeito no peso considerado baixo (perda de 24% do excesso de peso) quando comparado a outras técnicas cirúrgicas definitivas (bypass gástrico em Y de Roux ou gastrectomia sleeve que resultam em mais de 50% de perda do excesso de peso);
·         O procedimento tem a vantagem de ser reversível;
·         Não são ainda conhecidos efeitos (benéficos ou adversos) em longo prazo bem como a custo-efetividade do dispositivo.

Pílula do Clube: O dispositivo de bloqueio do nervo vago (VBloc) quando comparado com placebo (sham) se associou a maior perda do excesso de peso do que o obtido no grupo controle, porém de forma muito inferior à de outros procedimentos cirúrgicos, sem alcançar a meta previamente estipulada de superioridade.


Discutido no Clube de Revista de 18/01/2016.

Monthly High-Dose Vitamin D Treatment for the Prevention of Functional Decline: A Randomized Clinical Trial

Heike A. Bischoff-Ferrari, Bess Dawson-Hughes, John Orav, Hannes B. Staehelin, Otto W. Meyer, Robert Theiler, Walter Dick, Walter C. Willett, Andreas Egli,

JAMA Intern Med 2016, 176(2):175-83

Trata-se de ensaio clínico randomizado, duplo cego com o objetivo de investigar a eficácia do uso de altas doses de vitamina D na diminuição do risco de declínio funcional em idosos. Eram critérios de inclusão: idade maior que 70 anos, história de pelo menos uma queda nos últimos 12 meses e pontuação mínima de 27 no Mini-Mental State Examination. Pacientes que faziam uso prévio de mais de 800 UI diárias de vitamina D eram excluídos. Os pacientes elegíveis eram randomizados em 3 grupos de acordo com o tipo e a dose administrada de vitamina D. O grupo controle recebia 24.000 UI de vitamina D3 por mês; os dois grupos intervenção recebiam 65.000 UI/mês de vitamina D3 e 24.000 UI de vitamina D3 associada a 300 mcg de calcifediol, respectivamente. Os pacientes tinham um seguimento de 1 ano e recebiam visitas médicas no basal e após 6 e 12 meses. Os desfechos primários eram atingir níveis de vitamina D > 30 ng/mL e avaliação do declínio funcional. Este último era avaliado por meio do Short Physical Performance Battery (escore SPPB), utilizado para avaliação do equilíbrio e mobilidade dos membros inferiores em idosos. A incidência de quedas era o principal desfecho secundário.
Foram elegíveis 463 pacientes, 200 randomizados para cada um dos grupos. A média de idade era 78 anos e 67% da amostra era composta de mulheres; 58% dos pacientes tinham deficiência de vitamina D (< 20 ng/mL) no basal. O grupo que recebeu a maior dose mensal (60.000 UI) aumentou os níveis de 25(OH)D em 19,2 ng/mL e o grupo que recebeu calcifediol em associação à vitamina D3 aumentou a 25(OH)D em 25,8 ng/mL, ambos superiores ao grupo controle (P < 0,01). O escore SPPB não foi diferente entre os grupos no seguimento (P = 0,26). O grupo que recebeu 60.000 UI mensais teve um risco relativo (RR) de quedas em 1 ano de 1,47 (P = 0,02) quando comparado ao controle. Já o grupo que recebeu calcifediol em associação à vitamina D3 teve um RR de 1,24 (P = 0,22) para ocorrência de quedas após 1 ano em comparação aos que receberam 24.000 UI mensais. No clube de revista discutimos:
·         Maiores doses de vitamina D não foram associadas a melhora no escore SPPB, ou seja, não determinaram melhora no declínio funcional (equilíbrio, força e marcha) dos idosos;
·         A avaliação dos níveis de vitamina D como desfecho primário não é adequada, visto que, o aumento dos níveis de vitamina D após a reposição já é esperado;
·         O principal resultado do estudo, na verdade, é o aumento na incidência de quedas entre os pacientes que usaram maiores doses de vitamina D, embora a base fisiopatológica para este resultado ainda não seja compreendida;
·         Uma limitação do estudo é a ausência do grupo placebo.

Pílula do clube: O uso de doses altas de vitamina D3 não está associado à prevenção do declínio funcional em idosos e além disso se associa com maior incidência de quedas neste grupo.


Discutido no Clube de Revista de 11/01/2016.

Neonatal Glycemia and Neurodevelopmental Outcomes at 2 Years

McKinlay CJ, Alsweiler JM, Ansell JM, Anstice NS, Chase JG, Gamble GD, Harris DL, Jacobs RJ, Jiang Y, Paudel N, Signal M, Thompson B, Wouldes TA, Yu TY, Harding JE; CHYLD Study Group.

N Engl J Med 2015, 373(16):1507-18.

Trata-se de um estudo de coorte com pacientes de 2 ensaios clínicos randomizados (Sugar Babies Study e BABIES), realizados entre 2006-2010, na cidade de Hamilton, Nova Zelândia.  Foram incluídos neonatos com IG ≥ 35 semanas e em risco para hipoglicemia (DM materno, prematuridade, PIG ou GIG) e excluídos aqueles com malformações graves. Os pacientes foram submetidos a dosagens regulares de glicose plasmática por 24-48 horas do nascimento, ou até não apresentarem risco para hipoglicemia. Um subgrupo utilizou monitorização contínua da glicose (CGMS) por 7 dias ou por mais tempo nos com risco de hipoglicemia. Os episódios de hipoglicemia (definidos como glicose < 47 mg/dL) foram tratados com dieta adicional, dextrose oral ou  EV. Aos 2 anos de idade corrigida, as crianças foram submetidas a exame neurológico, testes de função executora,  BSID-III, avaliação da visão e teste de percepção de movimento global. Os cuidadores responderam questionários quanto à saúde das crianças, ambiente domiciliar e função executora. Os desfechos primários avaliados foram dano neurossensorial (BSID-III < 85, dano motor, paralisia cerebral, dano auditivo ou cegueira) e dificuldade de processamento (teste de função executora < 1,5 DP ou coerência limitada). Os desfechos secundários avaliados foram: os componentes individuais dos desfechos primários, escore BSID-III (função social, emocional e comportamento adaptativo), alterações visuais, avaliação de função executora (BRIEF-P) e convulsões. Na análise primária foram avaliados os desfechos primários e secundários em pacientes com e sem hipoglicemias, ≥ 3 episódios de hipoglicemia, hipoglicemia em ≥ 3 dias ou hipoglicemia severa (glicose < 36md/dL). Na análise secundária foram avaliados episódios de hipoglicemia no CGMS com os desfechos primários utilizando curvas ROC. Não foi realizado cálculo amostral, mas a amostra tinha poder de 80% para demonstrar diferença no BSID-III. Para avaliar a relação do nível de glicose intersticial (CGMS) com os desfechos foi utilizado o negative intersticial increment.
Os resultados principais mostraram que, entre os indivíduos que fizeram uso do CGMS foi demonstrado que 25% tiveram episódios de hipoglicemia não identificados em medidas intermitentes, e 25% tiveram hipoglicemias prolongadas (> 5 horas). As glicemias foram divididas em quintis e o período em cada um destes quintis foi avaliado. Os neonatos que permaneceram mais tempo fora dos quintis centrais (próximos da glicemia considerada ideal) apresentaram aumento dos desfechos, principalmente às custas de hiperglicemias. Não houve aumento da incidência de danos neurológicos aos 2 anos entre as crianças com episódios de hipoglicemias em relação às sem hipoglicemia. Crianças com danos neurossensoriais aos 2 anos tinham glicemias mais altas nas primeiras horas, sendo a hiperglicemia nas primeiras 12 horas o preditor de dano neurológico. Os neonatos com hipoglicemia tratados com dextrose VO ou EV que tiveram aumentos maiores na glicemia capilar apresentaram mais desfechos neurológicos. Durante o clube foram discutidos os seguintes pontos:
·         Não há ponto de corte definido para hipoglicemia neonatal, mas glicemia > 47 mg/dL parece ser seguro;
·         Não existe um método point-of-care ideal pois a glicemia capilar perde acurácia com valores mais baixos de glicemia, prejudicando a avaliação destes pacientes;
·         No tratamento de hipoglicemia neonatal deve ser priorizado utilizar dieta, pois uso de dextrose com grandes variações da glicemia nas primeiras horas de vida parece estar relacionado com aumento dos desfechos neurológicos.

Pílula do clube: Em neonatos, glicemias > 47mg/dL parecem ser seguras quanto ao risco de desfechos neurológicos em longo prazo. No manejo de glicemias < 47 mg/dL deve ser priorizado tratamento com dieta adicional em detrimento de dextrose VO ou EV pois hiperglicemias de rebote são preditores de desfechos neurológicos.


Discutido no Clube de Revista de 04/01/2016.

Preoperative somatostatin analogues versus direct transsphenoidal surgery for newly-diagnosed acromegaly patients: a systematic review and meta-analysis using the GRADE system

V. S. Nunes,  J. M. S. Correa, M. E. S. Puga, E. M. K. Silva  e C. L. Boguszewski

Pituitary 2015, 18(4):500-8.

Trata-se de revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados (ECRs) publicados até dezembro de 2013, com objetivo de avaliar o efeito uso de análogos da somatostatina (AS), octreotide ou lanreotide, previamente à cirurgia transesfenoidal (CTE), no tratamento da acromegalia. Os estudos randomizados elegíveis eram aqueles que arrolaram adultos com diagnóstico recente de acromegalia, comparando uso neoadjuvante ou não de AS. Foram buscados nas quatro principais bases de dados da literatura (PubMed, Embase, Lilacs e Cochrane), através dos termos MeSH ‘’somatostatin analogues’’, ‘’transsphenoidal surgery’’, ‘’acromegaly’’,‘’randomized controlled trial’’, além de revisão da literatura cinza. Os desfechos primários extraídos foram: prescindir do uso de tratamento adjuvante três meses após a CTE (definido pelo controle bioquímico da acromegalia, através de GH basal < 2,5mcg/mL, IGF1 normal para idade/sexo e GH após teste de tolerância oral à glicose (TOTG) ≤ 1mcg/mL), qualidade de vida e mortalidade. Também foram avaliados, como desfechos secundários, melhora das complicações da acromegalia, redução tumoral, duração da hospitalização, custos e complicações cirúrgicas. Através de metanálise foi calculado o risco relativo dos desfechos e a heterogeneidade foi medida através de modelo de efeito fixo, pelo programa RevMan 5.2. Foi realizada análise de sensibilidade, que excluiu ECRs de baixa qualidade. GRADE foi a ferramenta utilizada para avaliar a qualidade da evidência disponível.
Foram incluídos na metanálise 4 estudos, envolvendo 261 pacientes acromegálicos. A maioria apresentava macroadenoma hipofisário, alguns desses invasivos. Todas as cirurgias foram realizadas por neurocirurgião experiente (50 CTE/ano), em centros de referência para tratamento de acromegalia. A intervenção consistiu de octreotide LAR 20mg ou lanreotide 30mg, utilizado por 3 a 6 meses antes da CTE. O uso pré-operatório de AS promoveu uma taxa de remissão 2,5 vezes maior (RR 2,47; IC95% 1,66-3,70) da acromegalia após 3 a 4 meses da CTE, de acordo com IGF1 (menor ou igual ao limite superior da normalidade, LSN). Esse resultado foi semelhante (RR 2,15; IC95% 1,39-3,33) quando foi incluído no critério de cura um nadir do GH ≤ 1mcg/mL durante TOTG. Não houve diferença quanto à taxa de complicações cirúrgicas, tipo de AS, tempo de hospitalização após CTE e se o tumor era microadenoma. Não foi possível avaliar demais desfechos pela sua não descrição e/ou pequeno número de eventos. A heterogeneidade foi baixa entre os estudos (I²=0%, P < 0,0001). No Clube de Revista, foram assinalados os seguintes pontos:
·         O estudo não atingiu o número total de pacientes/evento para obter um tamanho ótimo de informação;
·         Os critérios de cura foram avaliados somente em curto prazo, e o momento da última aplicação de AS pré-operatório poderia interferir nos valores de IGF1 e GH pós CTE, sendo um viés de aferição;
·         Nenhum dos estudos incluídos foi financiado claramente pela indústria farmacêutica.

Pílula do Clube: o emprego pré-operatório de análogos da somatostatina em pacientes com acromegalia por macroadenoma hipofisário pode aumentar em torno de duas vezes a taxa de remissão em curto prazo (3 a 4 meses) da doença, quando avaliado por IGF1 ≤ LSN e/ou nadir do GH em TOTG ≤ 1mcg/mL, independentemente do tipo de AS. No entanto, não foi capaz de reduzir tamanho tumoral, complicações cirúrgicas e tempo de internação. Ainda é incerto se o uso neoadjuvante de AS aumenta a remissão/cura da acromegalia em longo prazo.


Discutido no Clube de Revista de 21/12/2015.

Statins and New-Onset Diabetes Mellitus and Diabetic Complications: A Retrospective Cohort Study of US Healthy Adults

Ishak Mansi , Christopher R. Frei, Chen-Pin Wang, Eric M. Mortensen

J Gen Intern Med 2015, 30(11):1599-610

Trata-se de coorte retrospectiva em que foram utilizados os dados do sistema de saúde do exército (Tricare) da região de San Antonio, no Texas, entre 2003 e 2012. Foram incluídos pacientes entre 30 e 85 anos com pelo menos uma consulta no período do baseline (entre 01/10/2013 e 30/09/2005) e uma no período do seguimento (entre 01/10/2005 e 01/03/2012) e que receberam a prescrição de pelo menos uma medicação contínua. Foram excluídas vítimas de traumas, pacientes que iniciaram estatina após o baseline e os que usaram estatina por menos de 90 dias. Os pacientes foram subdivididos entre usuários de estatinas de alta potência (atorvastatina ≥ 40mg ou rosuvastatina ≥ 20mg), usuário de estatinas de baixa/moderada (demais) e não usuários. Os desfechos avaliados foram novos casos de diabetes, de diabetes com complicações e de sobrepeso/obesidade, baseados em revisão de prontuário, com os diagnósticos conforme baseados no CID 9. Na análise estatística foram usados o teste de qui-quadrado para variáveis categóricas e o teste t de student para variáveis contínuas. Foi utilizado um propensity score para parear usuários e não usuários de estatinas baseado em 42 variáveis. Para a análise primária foi avaliado o grupo de usuários de estatina com um subgrupo com a mesma quantidade de indivíduos, pareados com os usuários de estatina baseado nos escores de propensão. Para a análise secundária foram avaliados os subgrupos de não usuários saudáveis (baseado no escore de Charlson) com os usuários de estatina de alta potência, uso de pelo menos 2 e 4 anos, pacientes com sobrepeso/obesidade no baseline. Durante o estudo, 87% dos pacientes receberam estatina de potencia baixa/moderada e 28% de alta potência. A incidência de novos casos de diabetes foi de 14% no período do estudo. Na análise primária os usuários de estatina apresentaram um OR de 1,87 para novos casos de diabetes, de 2,5 de novos casos de diabetes com complicações e de 1,14 para sobrepeso/obesidade quando comparados ao grupo de não usuários. Os usuários de estatina de alta potência apresentaram uma OR de 1,5 para novos casos de diabetes, de 1,97 para diabetes com complicações e de 1,61 para sobrepeso/obesidade em relação aos usuários de estatina de potência baixa/moderada. Na análise secundária, os usuários de estatinas tiveram maior risco de diabetes, de complicações e sobrepeso/obesidade em todas as análises. Durante o clube foram discutidos os seguintes pontos:
·         O aumento do risco de diabetes com o uso de estatina está bem fundamentado na literatura;
·         Se em relação a pacientes com alto risco cardiovascular o benefício do uso de estatina está bem comprovado, em pacientes de baixo risco este risco não é bem estudado em longo prazo;
·         Quando iniciado uso de estatina, as de baixa/moderada potência devem ser priorizadas;
·         Este estudo apresenta como limitações ser retrospectivo e baseado em registro de prontuários.

Pílula do Clube: O uso de estatinas parece estar relacionado ao aumento do risco de diabetes, de complicações do diabetes e do aumento de peso, sendo estes desfechos relacionados diretamente com a potência da estatina utilizada.


Discutido no Clube de Revista de 14/12/2015.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Leisure Time Physical Activity and Mortality A Detailed Pooled Analysis of the Dose-Response Relationship

Hannah Arem, Steven C. Moore, Alpa Patel, Patricia Hartge, Amy Berrington de Gonzalez, Kala Visvanathan, Peter T. Campbell, Michal Freedman, Elisabete Weiderpass, Hans Olov Adami, Martha S. Linet, I.-Min Lee, Charles E. Matthews.

JAMA Intern Med. 2015;175(6):959-967.

            O estudo discutido buscou avaliar a relação entre atividade física de lazer e mortalidade, objetivando quantificar o limite superior de benefício e riscos de mortalidade associados a níveis intensos de exercício, uma vez que os níveis máximos de exercício associados a benefício ou malefício em relação a sobrevida não estão bem definidos. Foi realizada análise de 6 estudos de coorte, com mais de 5 anos de duração, com mais de 1.000 mortes em brancos não hispânicos e que continham dados de status de atividade física, altura, peso e tabagismo dos pacientes. O tempo semanal gasto com atividade física era avaliado por diferentes questionários (não uniformes entre os estudos). Foi realizada análise multivariada para uma relação de dose-resposta em relação à intensidade/quantidade de exercícios, avaliados em METs-h/semana, estratificados em 7 grupos. Foram incluídos dados de 661.137 participantes (291.485 homens e 369.652 mulheres), com seguimento médio de 14,2 anos. Foram registradas 116.686 mortes. A idade média de entrada no estudo foi de 62 anos e o índice de MET h/semana médio dos pacientes foi de 8. Indivíduos com mais atividade física tenderam a serem mais jovens, não fumantes, menor IMC, casados e com menos comorbidades.
            Qualquer nível de atividade foi associado a menor mortalidade. Em pacientes realizando menos que o mínimo recomendado (0,1 a < 7,5 METs h/sem), foi observado um risco 20% menor em relação a mortalidade (HR 0,80; IC95% 0,78-0,82). A associação se tornou máxima entre aqueles realizando 3-10 vezes o mínimo recomendado de atividade física (22,5 a < 40 METs h/sem: HR 0,61; IC95% 0,59-0,62). Naqueles que realizavam mais de 10 vezes o recomendado, ainda houve menos risco de morte, porém não tão intenso (≥ 75 METs h/sem: HR 0,69; IC95% 0,59-0,78). Durante o clube de revista foram discutidos os seguintes pontos:
·         Os benefícios encontrados em relação à atividade física estão de acordo com o recomendado pelas diretrizes;
·         O benefício máximo em relação à longevidade parece ser 3-5 vezes o mínimo de atividade física recomendado;
·         Não parece haver maior mortalidade em grupos que realizam mais de 10 vezes o mínimo recomendado, em contraposição a outros estudos realizados com populações distintas em que parecia haver aumento do risco;
·         Pode haver erros no auto relato de atividade física (retrospectivo de 1 ano).

Pílula do Clube: Realizar atividade física moderada ou vigorosa atingindo no mínimo 3-5 vezes o mínimo recomendado parece estar associado com maior benefício em longevidade, sendo que não parece haver risco excessivo para quem realiza mais do que 10 vezes o mínimo recomendado.


Discutido no Clube de Revista de 07/12/2015.

20-Year Follow-up of Statins in Children with Familial Hypercholesterolemia

Ilse K. Luirink, Albert Wiegman, Meeike Kusters, Michel H. Hof, Jaap W. Groothoff, Eric de Groot, John J.P. Kastelein, and Barbara A. Hutt...