quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Consumption of sugar sweetened beverages, artificially sweetened beverages, and fruit juice and incidence of type 2 diabetes: systematic review, meta-analysis, and estimation of population attributable fraction

Fumiaki Imamura,Laura O’Connor, Zheng Ye, Jaakko Mursu, Yasuaki Hayashino, Shilpa N Bhupathiraju, Nita G Forouhi

BMJ 2015, 351:h3576.
http://www.bmj.com/content/351/bmj.h3576

Trata-se de revisão sistemática e metanálise de estudos observacionais prospectivos cujo principal objetivo era avaliar se o consumo de bebidas adoçadas, artificialmente ou não, e de suco de frutas associava-se com a ocorrência de DM2. Além disso, pretendia estimar a fração atribuível populacional do diabetes ao consumo de bebidas adoçadas nos EUA e Reino Unido. Os estudos elegíveis eram aqueles prospectivos com adultos sem DM ≥18 anos, de seguimento superior a 2 anos, que avaliassem o consumo de bebidas e a incidência de DM2. Para fins de definição, suco - somente 100% fruta, bebida adoçada - líquido com adição de açúcar e bebida artificialmente adoçada - líquido de baixa caloria. Os dados extraídos incluíram IMC, método para aferir consumo de bebidas, tipo de bebidas consumidas e financiamento do estudo, sendo as variáveis ajustadas para sexo, idade e adiposidade. O risco de vieses foi estimado através de ferramenta da Cochrane (ACROBAT-NRSI). Através de metanálise foi estimado o risco relativo de desenvolver DM2 com o consumo diário de 250 ml da bebida afim. A fração atribuível populacional foi calculada estimando um consumo constante de bebidas adoçadas ao longo de 10 anos, extraindo dados de pesquisas recentes sobre hábitos alimentares de americanos e ingleses.
Foram incluídos na metanálise 21 estudos, arrolando 10.126.754 pessoas-ano e 38.253 casos incidentes de DM2. Foi identificado um aumento de 18% no risco de desenvolver DM2 para cada porção consumida de bebida adoçada (9-28%, I²=89%) e quando ajustado para adiposidade, um fator de confusão importante na interpretação desses dados, 13% maior (6-21%, I²=79%). Em relação às bebidas artificialmente adoçadas, o aumento do risco para DM2 foi de 25% e 8%, antes (18-33%, I²=70%) e após (2-15%, I²=64%) ajuste para adiposidade. Consumo regular de suco de frutas foi associado a um risco 5% maior de DM2, porém sem significância estatística (RR 1,05; IC 95% 0,99-1,11, I²=79%). A qualidade da evidência encontrada nessa metanálise foi considerada moderada para bebidas adoçadas, havendo relação dose-resposta e robustez contra potenciais vieses de confusão ou publicação. Já para consumo de bebidas adoçadas artificialmente e suco de frutas, os achados provavelmente apresentam vieses de publicação e fatores de confusão residuais, sendo uma evidência de baixa qualidade. Através do cálculo da fração atribuível populacional, observou-se que 12% e 5% dos casos de DM2 nos próximos 10 anos podem ser atribuídos ao consumo regular de bebidas adoçadas, nos EUA e no Reino Unido, respectivamente. No Clube de Revista, foram destacados os seguintes pontos:
·         O consumo habitual de bebidas adoçadas foi prospectivamente associado com o desenvolvimento de DM2, independentemente da adiposidade. A magnitude da associação não foi tão robusta para consumo de bebidas adoçadas artificialmente e suco de fruta;
·         A metanálise apresenta limitações que são aquelas relativas ao caráter observacional dos estudos incluídos (possibilidade de causalidade reversa e necessidade de diversos ajustes estatísticos para tentar eliminar fatores de confusão);
·         É um tema relevante em saúde pública, dado o elevado consumo de bebidas adoçadas e artificiais, podendo haver benefício em reduzir o consumo de bebidas adoçadas como medida de prevenção primária do DM2;
·         O consumo de bebidas adoçadas artificialmente e suco de frutas não deve ser estimulado como substituto das açucaradas, uma vez que sua associação com DM2 não está bem estabelecida e, portanto, não são opções saudáveis.

Pílula do Clube: o consumo regular (250 ml/dia) de bebidas adoçadas possivelmente está associado ao aumento da incidência DM2. A redução do consumo dessas bebidas pode ser uma estratégia para prevenção primária do DM2, porém não se deve estimular o consumo de bebidas com adoçantes e suco de frutas como substitutos saudáveis.


Discutido no Clube de Revista de 17/08/2015.

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