quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Endocrine Late Effects in Survivors of Cancer in Adolescence and Young Adulthood - A Danish Population-Based Cohort Study


Mette Vestergaard Jensen, Kathrine Rugbjerg, Sofie de Fine Licht, Christoffer Johansen, Kjeld Schmiegelow, Klaus Kaae Andersen, Jeanette Falck Winther

JAMA Network Open 2018, 1(2):e180349.

            Trata-se de um estudo de coorte de base populacional realizado na Dinamarca que se propôs a estudar os efeitos endocrinológicos tardios em pacientes adolescentes e adultos-jovem sobreviventes de câncer. Sabe-se que o câncer nesta faixa etária comporta-se diferente do que na faixa etária infantil e de adultos-idosos, porém há menos estudos avaliando essa população específica e suas particularidades tendem a ser menos exploradas.
            Foram estudados sobreviventes de câncer diagnosticado na faixa etária entre 15 – 39 anos provenientes do banco de dados do Danish Cancer Registry de 1976 a 2009. Foram randomizados para o grupo de comparação 5 pessoas “livres de câncer” do sistema de registro civil do mesmo sexo e ano de nascimento para cada paciente, e foram excluídos pacientes que morreram ou emigraram no primeiro ano após diagnóstico de câncer. Foram avaliadas as admissões hospitalares desde 1977 e as visitas ambulatoriais desde 1995 e os CIDs endocrinológicos, tendo sido excluídas doenças metabólicas/nutricionais; desordens congênitas; doenças do timo e da puberdade; diagnóstico de doença endócrina prévio; alterações cromossômicas ou pacientes com tumor hipofisário.  O seguimento ocorreu até a morte, emigração ou diagnóstico do segundo câncer primário nos sobreviventes ou primeiro diagnóstico de câncer nos participantes ou até 31 de dezembro de 2010.
            No total, foram avaliados 32.548 sobreviventes e 188.728 participantes para comparação. Do primeiro grupo, 6,5% tiveram pelo menos 1 contato hospitalar por doença endocrinológica, enquanto 3,8% dos comparativos (RR 1,73). Foi calculado um excesso absoluto de risco de 236,6 casos de doença endocrinológica por 100.000 pessoas/ano. O aumento de risco em relação à população geral foi maior no sexo masculino e uma idade menor ao diagnóstico foi associada a maior risco. Além disso, o risco parece reduzir com o tempo após diagnóstico (RR 2,6 entre 1-4 anos após o diagnóstico, e RR de 1,45 de 10-19 anos após o diagnóstico). Os maiores aumentos de risco foram evidenciados para hipofunção testicular e ovariana e hipopituitarismo. As maiores causas de contato hospitalar foram problemas na tireoide, diabetes (também as causas mais frequentes na população em geral) e disfunção testicular. Os tipos de câncer com maior risco relativo para alguma doença endocrinológica foram leucemia, linfoma de Hodgkin e câncer cerebral. A grande maioria dos casos de hipopituitarismo foi diagnosticado antes dos 30 anos de idade. Foi evidenciado um aumento de risco de diabetes em câncer testicular, ovariano e colo uterino, o que poderia estar relacionado à deficiências hormonais. Durante o Clube de Revista os seguintes pontos foram discutidos:
·         O estudo possui algumas limitações importantes, a principal delas é a ausência de informações quanto ao tratamento prévio (se foram submetidos à radioterapia ou não, se sim, quais doses, administração de quimioterápicos e uso de medicações atuais..), assim como informações sobre o perfil dos pacientes (peso, dados socioeconômicos, etnia...);
·         O viés de vigilância que pode superestimar os riscos, assim como, o fato de as consultas ambulatoriais terem sido registradas apenas a partir de 1995, e a ausência de avaliação dos registros de atenção básica/clínico geral, o que poderia subestimar os diagnósticos;
·         Os pontos fortes são o fato de ser o primeiro estudo a avaliar o risco de doenças endocrinológicas em sobreviventes de câncer com diagnóstico quando adolescentes e adulto jovens, dados de longo período de follow-up, registros de alta qualidade e grande amostra de pacientes.
·         Este estudo indica a necessidade de identificação de perfis de pacientes de maior risco para efeitos endocrinológicos tardios para que o aconselhamento e seguimento possam ser individualizados e suas informações podem orientar futuras medidas preventivas e estratégias de vigilância. Estudos adicionais são necessários para determinar associações exatas entre regimes de tratamento e doenças endócrinas.

Pílula do Clube: a população de adolescentes e adultos jovens sobreviventes de câncer, sobretudo 
leucemia, linfoma de Hodgkin e câncer cerebral, têm maior risco de desenvolver doenças endocrinológicas e devem ser acompanhados com maior intensidade nos primeiros anos após o diagnóstico e ter o seu seguimento customizado.

Discutido no Clube de Revista de 23/07/2018

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