segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nomenclature Revision for Encapsulated Follicular Variant of Papillary Thyroid Carcinoma
A Paradigm Shift to Reduce Overtreatment of Indolent Tumors

Yuri E. Nikiforov, Raja R. Seethala, Giovanni Tallini, Zubair W. Baloch, Fulvio Basolo, Lester D. R. Thompson, Justine A. Barletta, Bruce M. Wenig, Abir Al Ghuzlan, Kennichi Kakudo, Thomas J. Giordano, Venancio A. Alves, Elham Khanafshar, Sylvia L. Asa, Adel K. El-Naggar, William E. Gooding, Steven P. Hodak, Ricardo V. Lloyd, Guy Maytal, Ozgur Mete, Marina N. Nikiforova, Vania Nosé, Mauro Papotti, David N. Poller, Peter M. Sadow, Arthur S. Tischler, R. Michael Tuttle, Kathryn B. Wall, Virginia A. LiVolsi, Gregory W. Randolph, Ronald A. Ghossein.

JAMA Oncol. April, 2016. doi:10.1001/jamaoncol.2016.0386

Trata-se de um projeto internacional para reavaliar a entidade carcinoma papilífero de tireoide variante folicular encapsulada (EFVPTC), envolvendo equipe médica multidisciplinar experiente na revisão e seguimento em longo prazo destes casos. Os objetivos eram redefinir os critérios diagnósticos e identificar a terminologia mais apropriada de acordo com as características clínicas e biológicas destas lesões. Foram avaliados, através de uma coorte retrospectiva, 268 casos de tumores diagnosticados com EFVPTC, sendo que, após exclusões, o grupo 1 era composto pelos EFVPTC não invasivos com 10 anos de seguimento (n=109) e o grupo 2 por aqueles com invasão vascular e/ou cápsula tumoral com pelo menos 1 ano de seguimento (n=101). As lâminas dos anatomopatológicos eram codificadas e digitalizadas em uma plataforma digital de acesso para todo grupo. Diversas conferências presenciais foram realizadas para estabelecimento de consenso nos critérios diagnósticos e desenvolvimento da nova nomenclatura.
 Foram avaliados desfechos como frequência de eventos adversos, incluindo morte pela doença, aparecimento de metastases (MTS) locorregionais ou à distância e recorrência estrutural ou bioquímica da doença. No grupo 1 (n= 109), 67 pacientes foram submetidos a lobectomia e nenhum utilizou 131I. Durante um seguimento de 10-26 anos, nenhum apresentou evidência de doença. No grupo 2 (n=101), 86 foram tratados com tireoidectomia total e destes, 85 receberam 131I. No seguimento (1-18 anos), 12 pacientes (12%) apresentaram eventos adversos: 5 MTS à distância (pulmão/osso), 2 invasões capsulares, 1 invasão vascular, 2 invasões vasculares e capsulares, 2  mortes secundárias à doença, 1 recorrência linfonodal, 1 persistência da doença e 5 respostas bioquímicas incompletas. A média de tamanho tumoral era de 3,1 (1,1 – 9 cm) e 2,5 (0,6 – 5,5 cm) nos grupos 1 e 2 respectivamente. 
                        Baseado nestas informações, a nomenclatura de “noninvasive follicular thyroid neoplasm with papillary-like nuclear features” (NIFTP) foi adotada. Os critérios anatomopatológicos utilizados para esta nova designação foram: cápsula claramente íntegra, padrão de crescimento folicular (<1% papilar, ausência de corpos psamomatosos e padrão de crescimento sólido/trabecular/insular), escore nuclear entre 2-3, ausência de invasão vascular, necrose tumoral ou alta atividade mitótica. Avaliação genética de parte da amostra não revelou diferenças entre os grupos. Um escore diagnóstico simplificado foi desenvolvido e validado, obtendo sensibilidade de 98,6% (IC95% 96,3%-99,4%), especificidade de 90,1% (IC95% 86,0%-93,1%), e acurácia de 94,3% (IC95% 92,1%-96,0%) para o diagnóstico de NIFTP. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
·       A reclassificação é um assunto de extrema importância, visto que apesar de conhecido comportamento indolente, o EFVPTC não invasivo segue sendo classificado como câncer e recebendo todas as terapias designadas às entidades mais agressivas de câncer de tireoide;
·       Maior prevalência de mutações do RAS foi associada à linhagem folicular de neoplasias tireoidianas, como adenoma folicular e carcinoma folicular de tireoide;
·       Equipes de patologia devem ser treinadas para avaliação acurada dos critérios diagnósticos, tornando reprodutível a correta identificação dos NIFTP;
·       Visto que a maioria dos pacientes com NIFTP realizaram apenas lobectomia, o manejo destes casos pode ser descalonado - não havendo benefícios de 131I ou tireoidectomia total.

Pílula do Clube: Lesões do tipo EFVPTC não invasivas representam uma classe de tumores tireoidianos de muito baixo risco para eventos adversos, devendo ser reclassificados como “Neoplasia folicular não invasiva com características nucleares tipo papilar (NIFTP)”.


Discutido no Clube de Revista de 29/08/2016.

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