segunda-feira, 27 de julho de 2015

Subclinical Thyroid Dysfunction and Fracture Risk: A Meta-analysis

Manuel R. Blum, Douglas C. Bauer, Thin-Hai Collet, Howard A Fink, Anne R Cappola, Bruno R da Costa, Christina D Wirth, Robin P Peeters, Bjern O Asvold, Wendy P J den Elzen, Robert N Luben, Misa Imaizumi.

JAMA 2015, 313: 2055-2065.

Trata-se de metanálise de dados individuais de estudos de coorte prospectivos realizados até março de 2015. O objetivo principal era avaliar a associação entre disfunção tireoidiana subclínica e risco de fraturas, além de estabelecer a relação com a idade, sexo e TSH dos participantes. Foram incluídos todos os estudos que apresentassem medidas de TSH e T4 livre e tivessem seguimento com avaliação de fraturas como desfecho. Os estudos com pacientes com disfunção tireoidiana estabelecida ou uso de medicações que interferissem no funcionamento da tireóide foram excluídos. Os estudos incluídos forneciam os dados individuais dos participantes (características, função tireoidiana, dados do metabolismo ósseo e fraturas). O desfecho primário era a ocorrência de fratura de quadril (excluindo pacientes com prótese ou fratura patológica). Os desfechos secundários eram a ocorrência de fraturas de qualquer origem, excluindo áreas não afetadas pela fragilidade óssea (ex. face e dedos) e fraturas identificadas apenas em radiografias. Após a análise inicial, foi feita uma análise de sensibilidade, ajustando os resultados para as seguintes variáveis: diabetes, medicações que interferissem no eixo tireoidiano, exclusão de estudos com perdas acima de 5%, exclusão de estudos sem avaliação de T3/T4 livre. Entre os 1.371 estudos identificados inicialmente, 13 foram selecionados (n=70.298). Os estudos tinham uma média de 12 anos de seguimento, com participantes com média de 64 anos de idade, 63% mulheres. Após os ajustes realizados, o hipertireoidismo subclínico foi associado a maior risco para fraturas de quadril (HR 1,36; IC95% 1,13-1,64), qualquer fratura (HR1,28; IC95% 1,06-1,53) e fraturas de coluna (HR 1,51; IC95% 0,93-2,45). Apenas dois estudos individualmente mostraram associação entre hipertireoidismo subclínico e fratura de quadril e nenhum estudo mostrou associação com desfechos secundários. Quando realizadas as subanálises, verificou-se tendência a fraturas de coluna entre os homens com hipertireoidismo subclínico (HR 3,61; IC95% 1,76-7,41) quando comparados a mulheres (HR 1,17; IC 95% 0,63-2,19). De acordo com as categorias de TSH, o risco de fraturas de quadril, coluna e qualquer fratura eram maiores em pacientes com TSH mais baixo (HR 3,57; IC95% 1,88-6,78). Não houve associação entre hipotireoidismo subclínico e risco de fraturas (HR 0,96; IC95% 0,83-1,10). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
·         Observou-se associação positiva entre hipertireoidismo subclínico e risco de fraturas, mesmo após ajustes. A informação de que este risco é maior entre aqueles com menor TSH é relevante na prática clínica;
·         Corroborando a ausência de base fisiopatológica para esta hipótese, o hipotireoidismo subclínico não teve associação com aumento de risco de fraturas;
·         A maior parte dos estudos só apresentava função tireoidiana no baseline e não apresentava as medidas de T4 e T4 livre, fundamentais para a definição de hipertireoidismo subclínico;
·         Pela ausência de ensaios clínicos controlados, não é possível afirmar que o tratamento do hipertireoidismo subclinico tenha algum papel na prevenção de fraturas.

Pílula do Clube: O hipertireoidismo subclínico está associado a aumento no risco de fraturas, principalmente entre indivíduos com TSH ≤ 0,1 mU/L, mas ainda não há evidências para afirmar que o tratamento desta condição possa prevenir a ocorrência de fraturas.


Discutido no Clube de Revista de 01/06/2015.

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