terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Milk intake and risk of mortality and fractures in women and men: cohort studies

Karl Michaëlsson, Alicja Wolk, Sophie Langenskiöld, Samar Basu, Eva Warensjö Lemming, Håkan Melhus, Liisa Byberg


BMJ. 2014 Oct 28, 349:g6015

O objetivo deste estudo foi avaliar se o consumo de leite está associado com mortalidade e fraturas em homens e mulheres, através do seguimento de duas coortes suecas: Swedish Mammography Cohort (1987-1990), composta por mulheres, 39-74 anos, e Cohort of Swedish Men (1997), composta por homens, 45-79 anos. Os pacientes eram convidados a responder questionário sobre frequência alimentar (por correspondência) que avaliava o consumo de leite e outros nutrientes. Foram incluídos 61.433 mulheres e 45.339 homens. As mulheres responderam um segundo questionário de frequência alimentar em 1997. A partir da resposta ao questionário, foram monitorizados os óbitos, através dos registros da Suécia, classificados em todas as causas, cardiovascular e câncer. Registros de admissões hospitalares e consultas ambulatoriais foram a fonte do dado de incidência de fraturas (CID-10), excluindo-se as reconsultas e fraturas patológicas por câncer. Também foram avaliados biomarcadores de estresse oxidativo e de inflamação em amostra auto selecionada das coortes (5.022 mulheres, idade média 70 anos; 1.138 homens, idade média 71 anos). Através de modelos de análise multivariada foram determinadas as associações entre leite, mortalidade e fraturas. Entre as mulheres, foi observada uma associação positiva entre ingestão de leite e mortalidade geral e fraturas, principalmente fraturas de quadril. Essa associação é mais forte quanto maior a ingestão diária de leite: o consumo correspondente a 3 ou mais copos ao dia quando comparado a menos de 1 copo foi associado a risco 1,93 vezes maior de mortalidade por todas as causas (IC 95% 1,80-2,06) e 1,60 vezes maior de fratura do quadril (IC 95% 1,39-1,84). Para cada copo de leite, o hazard ratio para mortalidade por todas as causas foi 1,15 (IC 95% 1,13-1,17). Entre os homens, houve também associação entre consumo de leite e mortalidade (para mortalidade geral, HR 1,10; IC 95% 1,03-1,17). O consumo de leite não afetou a ocorrência de fraturas na coorte masculina. A análise dos biomarcadores mostrou associação entre o consumo de leite, estresse oxidativo e inflamação. A hipótese aventada para as associações encontradas é a formação da D-galactose durante a digestão do leite. Esse açúcar gera espécies reativas de oxigênio, podendo induzir inflamação, envelhecimento precoce e morte. Contudo, atualmente, essas evidências só foram demonstradas em estudos de modelos animais. Durante o Clube de Revista os seguintes pontos foram discutidos:
·         Por tratar-se de um estudo observacional está sujeito a todos os tipos de vieses que advém desse delineamento. Além disso, não pode ser comprovada causalidade entre o fator estudado (consumo de leite) e os desfechos, somente a presença de uma associação;
·         O consumo de leite foi aferido por questionário alimentar, que também é um método sujeito a vieses;
·         Apesar de contar com um número muito grande de sujeitos, a pesquisa foi conduzida em apenas um país, o que diminui a sua aplicabilidade e validade externa.

Pílula do Clube: os resultados deste estudo sugerem que seja revista a recomendação de consumir grande quantidade de leite para prevenir fraturas por fragilidade, porém a causalidade entre consumo de leite e os desfechos observados necessita ser confirmada em outros estudos.


Discutido no Clube de Revista de 10/11/2014.

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