sábado, 21 de fevereiro de 2015

Dietary Intervention in Patients With Gestational Diabetes Mellitus: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Clinical Trials on Maternal and Newborn Outcomes

Luciana Verçoza Viana, Jorge Luiz Gross e Mirela Jobim Azevedo.
 Diabetes Care 2014;37:3345–3355.

Esta revisão sistemática com metanálise teve como objetivo avaliar a eficácia das intervenções dietéticas em pacientes com diabetes mellitus gestacional (DMG) em relação aos desfechos maternos e neonatais. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados (ECRs) com intervenção dietética em pacientes com DMG, tolerância reduzida à glicose ou hiperglicemia durante a gestação (excluídos DM tipo 1 e 2), com intervenção mínima por 4 semanas e até o parto. Foi realizada busca de artigos em bancos de dados (MEDLINE, Embase, ClinicalTrials.gov, Cochrane e Scopus) até março de 2014. Houve restrição aos idiomas inglês, português e espanhol. Os principais desfechos maternos avaliados foram proporção de pacientes que iniciaram insulina, proporção de partos cesáreos e ganho de peso total, e os desfechos neonatais foram peso ao nascimento, macrossomia, número de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) e hipoglicemia. De 1.170 artigos rastreados, 9 foram incluídos na análise, totalizando 884 gestantes. Dividiram-se os estudos em 4 categorias, de acordo com as características das dietas: índice glicêmico baixo (IG <55; n = 4, 257 pacientes), hipocalórica (1600 a 1800 calorias ou cerca de 33% de redução de calorias; n = 2, 425 pacientes), restrição de carboidratos (<45% das calorias diárias; n = 2, 182 pacientes) e outras (dieta étnica; n = 1, 20 pacientes).  A dieta com IG baixo reduziu a proporção de pacientes que usaram insulina (RR 0,77; IC 95% 0,60 a 0,98, P = 0,039; I2 34%) e o peso ao nascer (-161,89g; IC 95% -246,36 a -77,42, P = 0,001; I2 0%) quando comparada à dieta controle, sem apresentar diferença em relação à proporção de macrossomia (RR 0,48; IC 95% 0,15 a 1,56, P = 0,222; I2 0%) e PIG (RR 1,59; IC 95% 0,60 a 4,18, p = 0.349; I2 0%). Esta metanálise foi classificada como de moderada a alta qualidade pelo GRADE score. A metanálise das dietas hipocalórica e com restrição de carboidratos não demonstrou diferença entre os grupos intervenção e controle em relação aos desfechos maternos e neonatais avaliados. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:

  • Existem diferentes critérios diagnósticos de DMG, o que dificulta a uniformização das pacientes estudadas na literatura;
  • A restrição do idioma das publicações incluídas levou à exclusão de 3 artigos chineses;
  • As características das dietas de IG baixo e de restrição de carboidratos muitas vezes se sobrepõem, e a diferença do IG era muito estreita entre os grupos intervenção e controle;
  • A diferença encontrada do peso ao nascer no grupo da dieta com IG baixo, apesar de estatisticamente significativa, não se mostrou clinicamente relevante. No entanto, vê-se que a não redução de macrossomia pode ter sido atribuída a viés de publicação;
  • Houve o cuidado em considerar os dados de real ingestão da dieta, mas 3 ECRs não reportaram a adesão das pacientes.


Pílula do clube: Em pacientes com DMG, dieta com IG baixo foi associada com uso menos frequente de insulina e menor peso ao nascimento (mas sem diferença na proporção de macrossomia e PIG) quando comparada a dietas controle. As evidências disponíveis não mostram diferença do uso de dieta hipocalórica e de dieta com restrição de carboidratos nos desfechos maternos e neonatais avaliados.

Discutido no Clube de Revista de 01/12/2014.

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