segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Effect of Patients’ Risks and Preferences on Health Gains With Plasma Glucose Level Lowering in Type 2 Diabetes Mellitus

Sandeep Vijan, Jeremy B. Sussman, John S. Yudkin, Rodney A. Hayward.

JAMA Intern Med 2014 Jun 30; 174(8):1227-1234.

Este estudo teve por objetivo avaliar o impacto do tratamento do diabetes tipo 2 (DM2) na qualidade de vida de pacientes diabéticos utilizando simulação baseada em parâmetros de estudos clássico prévios. Foi utilizado modelo de Markov modificado para avaliar o benefício do controle glicêmico, considerando complicações micro e macrovasculares, assumindo efeitos otimistas. A estimativa de taxas de complicações foi baseada em estudos randomizados e observacionais, em especial o estudo UKPDS, e o risco cardiovascular foi estimado pelo escore Framingham. A quantificação e comparação do impacto do tratamento em relação à qualidade de vida do paciente foi realizada utilizando-se o conceito de utilidade e desutilidade (qualidade de vida perdida em 1 ano), através do QALY. Foi examinado o efeito que se obtém ao reduzir 1% na HbA1C em paciente diabético tipo 2 e também o efeito sobre dois cenários específicos, o primeiro de um paciente com DM2 de 45 anos que iniciaria metformina e o segundo de um paciente com DM2 que adicionaria insulina a seu tratamento com antidiabéticos orais. As predições dos modelos realizados se correlacionaram intimamente com os resultados observados no UKPDS. Foi demonstrado benefício significativo em reduzir a Hb1Ac em pacientes jovens, com benefício menor em pacientes mais idosos. O peso do tratamento que reduziu a HbA1c em 1 ponto resulta em prejuízo entre 0,01 e 0,05 QALYs, dependendo de fatores como idade e HbA1c pré-tratamento. Como resultado do primeiro cenário, o inicio do uso de metformina produz benefícios em torno de 0,14 QALYs (idosos) a 1,2 QALYs (mais jovens). Como resultado do segundo cenário, a adição de insulina trouxe prejuízo em qualidade de vida independente da idade do paciente analisado (-0,1 a -0,49 QALYs). Os resultados sugerem que os benefícios do tratamento do DM2 variam de acordo com idade ao diagnostico, HbA1c inicial e principalmente, ponto de vista do paciente sobre o peso/sobregarga do tratamento. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Neste estudo foram utilizados como desfecho de interesse QALYs e não redução de eventos (IAM, DRC terminal);
  • Novas medicações para DM devem ser avaliadas não somente em relação à redução de HbA1c, mas também quanto à qualidade de vida proporcionada ao paciente;
  • Controle da pressão arterial e dislipidemia em pacientes diabéticos se mostrou, em outras análises, muito mais efetivo que o controle glicêmico (30 QALYs ganhos/100 anos de tratamento);
  • Os médicos normalmente superestimam os benefícios do tratamento que propõem e poucos consideram a sobrecarga do tratamento ao paciente. Dada à variabilidade de preferências individuais, é pouco provável que haja unanimidade para decisões sobre controle glicêmico.


Pílula do Clube: Não devemos usar unicamente a HbA1c como alvo no tratamento do paciente com DM2; sua idade e complicações estabelecidas devem ser levadas em consideração, e as decisões devem ser individualizadas. As preferências e ponto de vista do paciente sobre o impacto do tratamento são fatores importantes para ajudá-lo a realizar o tratamento que é melhor para ele mesmo.

Discutido no Clube de Revista de 20/10/2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lower versus Traditional Treatment Threshold for Neonatal Hypoglycemia

van Kempen AAMW, Eskes PF, Nuytemans DHGM, van der Lee JH, Dijksman LM, van Veenendaal NR, van der Hulst FJPCM, Moonen RMJ, Zimmermann LJI...