terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Glucocorticoid Regimens for Prevention of Graves’ Ophthalmopathy Progression Following Radioiodine Treatment: Systematic Review and Meta-analysis

Shiber S, Stiebel-Kalish H, Shimon I, Grossman A, Robenshtok E

Thyroid 2014, 14:515-23.


            Trata-se de revisão sistemática e metanálise com objetivo de avaliar qual melhor regime de corticoterapia para a profilaxia da progressão ou ocorrência de oftalmopatia de Graves (OG) secundária à administração de radioiodo, com ênfase na menor dose possível. Foram incluídos ECRs e estudos retrospectivos que realizassem comparação da prevenção com uso de corticoide vs. controle (placebo, ausência de intervenção ou regime diferente de corticóide). O desfecho primário estudado foi a instalação ou piora de OG após realização de radioiodo, estratificada de acordo com status de OG pré-existente, e os secundários resolução de hipertireoidismo e eventos adversos relacionados ao corticoide. Após busca em bancos de dados, chegou-se a 8 artigos (5 ECRs e 3 estudos retrospectivos), os quais apresentavam diferentes regimes de dose, tipo, momento do início e duração do uso de corticoides. Quanto ao desfecho primário (progressão da OG), quando avaliados os pacientes com OG pré-existente, houve resultado favorável ao uso de corticoides em relação ao controle (OR 0,14 IC 95% 0,06-0,35). Quando se avaliou este desfecho estratificado pela dose de corticoide, se confirmou a eficácia do uso da dose padrão de 0,4-0,5 mg/Kg (OR 0,16 IC 95% 0,06-0,37), e também para doses mais baixas de prednisona e prednisolona de 0,2-0,3 mg/kg (OR 0,20 IC 95% 0,07-0,60), porém esta última análise envolveu somente 2 estudos retrospectivos, cujos grupos eram incomparáveis, já que a intervenção envolvia pessoas com OG leve/moderada e o controle pessoas sem OG, e a análise foi realizada de forma indireta, usando-se controles pareados por sexo, idade e atividade de doença, dos estudos incluídos na metanálise. Para os pacientes sem OG prévia, não houve vantagem do uso de corticoide, quando avaliados os ECRs (OR 0,80 IC 95% 0,26-2,46). Já a análise de 3 estudos retrospectivos mostrou até aumento do risco de progressão da OG (OR 4,48 IC 95% 1,84-10,9) neste subgrupo, mas nestes os controles não apresentavam fatores de risco, ao contrário do grupo intervenção, cujos participantes apresentavam pelo menos 1 fator de risco. A avaliação dos desfechos secundários não mostrou diferença nas taxas de resolução de hipertireoidismo com uso de corticóides; eventos adversos leves foram mais frequentes quando utilizadas doses maiores de prednisona (62% para 0,4-0,5 mg/Kg e 43% para 0,2-0,3 mg/Kg). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Metanálise que incluiu e analisou em conjunto estudos retrospectivos e ECRs, quando estes últimos apresentam grau de evidência superior, parecendo mais adequado apenas a avaliação isolada destes;
  • Os dados deste estudo confirmam a conduta atual de se administrar corticoide prévio a iodoterapia em pacientes com OG ativa;
  • A dose de corticóide mais adequada deve ser a já padronizada, visto o grau de evidência superior para o uso da mesma. Considerar doses mais baixas (sugeridas em estudos retrospectivos) somente em casos selecionados (risco alto para uso de corticoides, sem outras opções terapêuticas);
  • Para aqueles pacientes sem OG ativa, não há evidência de benefício do uso de corticóide como profilaxia prévia a iodo, porém a discussão segue para aqueles com fatores de risco para progressão da mesma, sendo necessários mais estudos.

Pílula do Clube: Os dados disponíveis atualmente reforçam a conduta atual de profilaxia com corticóide na dose de 0,3-0,5 mg/kg da progressão ou ocorrência de OG ativa. Para aqueles sem OG prévia, não parece haver benefícios desta prática. O uso de doses menores rotineiras para este fim ainda necessita de estudos prospectivos, devendo ser considerada apenas em alguns casos selecionados.


Discutido no Clube de Revista de 03/11/2014.

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