segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Comentário do Clube de Revista de 28/10/2013

Comparative Effectiveness of Therapies for Graves’ Hyperthyroidism: A Systematic Review and Network Meta-Analysis
Sundaresh V, Brito JP, Wang Z, Prokop LJ, Stan MN, Murad MH, Bahn RS
J Clin Endocrinol Metab. 2013 Sep 98(9):3671–3677

Esta revisão sistemática com metanálise em rede teve como objetivo determinar as taxas de recidiva das opções terapêuticas disponíveis para doença de Graves (drogas antitireoidianas – DAT, iodo radioativo – RAI e tireoidectomia), bem como apresentar dados sobre os efeitos adversos (EA) das DAT. Foram selecionados ECRs e estudos de coorte realizados em adultos que incluíram duas ou mais dentre as opções de tratamento. O desfecho primário avaliado foi a recorrência de hipertireoidismo após uso de DAT por no mínimo 12 meses, uma dose de RAI ou a primeira tireoidectomia. Foram rastreadas 3.285 publicações; destas, foram incluídas 8 (7 coortes e 1 ECR), com o total de 1.402 pacientes (667 grupo DAT, 314 grupo RAI, 419 grupo cirurgia). A dose média de RAI foi de 8,5 mCi (6,8-12,6). O seguimento médio foi de 57, 64 e 59 meses para os grupos DAT, RAI e cirurgia, respectivamente. A taxa de recidiva foi de 52,7% para DAT, 15% para RAI e 10% para cirurgia. Tanto as comparações diretas quanto as indiretas demonstraram maior taxa de recidiva com DAT do que com RAI (OR 6,25; IC 95% 2,40-16,67; I2 81%) e com DAT do que com cirurgia (OR 9,09; IC 95% 4,65-19,23; I2 42%). Não houve diferença entre RAI e cirurgia (OR 1,53; IC 95% 0,64-3,65; I2 45%). A avaliação de 31 coortes identificou EA de DAT em 660 de 5.136 (13%) pacientes. Houve maior número de EA em pacientes em uso de metimazol (MMI) versus em uso de propiltiouracil (PTU; 14,9% vs 6,9%; OR 2,3; IC 95% 1,8-3,06). O efeito adverso mais comum com MMI foi rash cutâneo (6%), e elevação de enzimas hepáticas foi mais comum com PTU (2,7%). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Apenas a comparação do fator recidiva entre as opções de tratamento não é suficiente. Não foi avaliada a evolução para eutireoidismo ou hipotireoidismo, por exemplo;
  • Também não houve análise de covariáveis importantes como tamanho da tireoide, sexo e idade dos pacientes e severidade do hipertireoidismo;
  • As complicações do RAI e da tireoidectomia não foram descritas;
  • Deve-se considerar que as doses de RAI utilizadas foram relativamente baixas;
  • As coortes incluídas tinham baixa qualidade e alto risco de viés, e foi incluído apenas um ECR;
  • A maioria das coortes era retrospectiva, o que pode levar ao viés de que pacientes com doença mais grave tenham sido submetidos com maior frequência a tratamentos definitivos (RAI e tireoidectomia).

 Pílula do clube: Foi confirmada a já conhecida maior taxa de recidiva de hipertireoidismo com tratamento com drogas antitireoidianas quando comparado com iodo radioativo ou tireoidectomia em pacientes com doença de Graves.

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