terça-feira, 22 de outubro de 2013

Comentário do Clube de Revista de 12/08/2013

Salycilate (Salsalate) in Patients With Type 2 Diabetes
A.B. Goldfine, V. Fonseca, K.A. Jablonski, Y.D.I. Chen, L. Tipton, M.A. Staten, S.E. Shoelson

Ann Intern Med 2013, 159:I-32.

            O objetivo deste ensaio clínico randomizado foi avaliar a possível superioridade do salsalato em relação ao placebo na redução da HbA1c de pacientes diabéticos com controle glicêmico inadequado. Para isso, foram rastreados pacientes de 21 centros americanos, idade < 75 anos, diagnóstico de DM tipo 2 há pelo menos 8 semanas, HbA1c de 7,0 a 9,5% e glicemia jejum menor que 225 mg/dL, tratados com dieta/exercício ou também terapia medicamentosa em monoterapia ou combinação, excluindo-se pacientes em uso de insulina, glitazonas, análogos do GLP-1, anticoagulantes orais, agentes uricosúricos, AINES (continuamente ou por mais de 7 dias nos últimos 2 meses), corticoesteróides ou drogas para perda de peso, presença de zumbido crônico ou doenças que poderiam interferir nos resultados do estudo. Não foram excluídos pacientes que estivessem em uso de AAS em dose baixa. Após 4 semanas de run in com placebo, foram randomizados para a fase de tratamento (duplo cego, duração de 48 semanas) 286 pacientes para receber placebo (n = 140) ou salsalato (n = 146), 3 gramas/dia (com dose máxima de até 3,5 gramas, se tolerado). Mudanças no tratamento eram feitas sempre que necessário pelo médico assistente, sendo recomendada manutenção de doses dos medicamentos em uso pelo menos nas primeiras 24 semanas do estudo, sempre que possível, o que permitia glicemias mais elevadas neste período. O desfecho primário estudado foi o de mudança na HbA1c, e os secundários alterações em outras variáveis com influência na homeostase glicêmica ou no risco cardiometabólico. Após 48 semanas, ocorreu uma queda de HbA1c de 0,33% (vs. basal) no grupo do salsalato e de -0,37% (IC -0,53% a -0,21%, p <0,001) em relação ao grupo placebo, com queda também da glicemia em jejum (-15 mg/dL) e menos notificações de hiperglicemia, porém com mais eventos hipoglicêmicos. Houve maior ganho de peso no grupo do salsalato (1,3 Kg), maiores níveis de insulina, colesterol total e LDL e adiponectina e menores níveis séricos de triglicerídeos (queda de 9%), de leucócitos totais, neutrófilos e linfócitos, e ácido úrico. Não houve mudança na taxa de filtração glomerular, mas houve aumento da albuminúria, reversível após suspensão da droga. Os efeitos adversos foram semelhantes entre os grupos, mas com maior incidência de zumbido, tosse, vômitos, tontura e fraqueza no grupo do salsalato. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • O salsalato teve pequeno efeito sobre a HbA1c (0,37%);
  • A redução de leucócitos, neutrófilos e linfócitos sugere efeito anti-inflamatório, porém outros parâmetros se mantiveram inalterados (por exemplo, TNF-alfa);
  • Houve aumento da adiponectina e redução do ácido úrico que podem estar associados com proteção cardiovascular;
  • A duração curta do estudo limita a avaliação de desfechos em longo prazo e o uso de outras drogas antidiabéticas pode ter influenciado nos resultados;
  • Alguns efeitos colaterais, como o surgimento de zumbido, além do elevado custo e baixa eficácia podem limitar o uso desta droga na prática clínica.


Pílula do Clube: O salsalato foi mais eficiente que o placebo na redução da HbA1c de pacientes diabéticos com controle glicêmico inadequado, porém consideravelmente inferior às outras classes de drogas antidiabéticas. Mais estudos são necessários para avaliar possíveis benefícios cardiovasculares e inserir este medicamento como uma opção no tratamento do DM2.

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