terça-feira, 22 de outubro de 2013

Comentário do Clube de Revista de 22/07/2013

Subclinical Hyperthyroidism and the Risk of Coronary Heart Disease and Mortality

Archives of Internal Medicine 2012, 172:799–809.

Esta revisão sistemática com metanálise de dados individuais teve como objetivo avaliar os riscos de mortalidade total, mortalidade cardiovascular (coronariana e morte súbita), eventos coronarianos e fibrilação atrial (FA) associados com hipertireoidismo subclínico endógeno. Foram incluídas coortes prospectivas com seguimento de mortalidade e desfechos coronarianos, com função tireoidiana (TSH e T4 livre basal) e com grupo controle com eutireoidismo. Foram excluídos estudos com hipertireoidismo clínico, aqueles apenas com participantes em uso de medicações antitireoidianas e tiroxina, e estudos com dados de TSH de ensaios de 1ª geração. Foram determinados pontos de corte para hipertireoidismo subclínico (TSH < 0,45 mUI/L com T4 livre normal; TSH suprimido se < 0,10 mUI/L e baixo se 0,10 a 0,44 mUI/L) e eutireoidismo (TSH 0,45 a 4,49 mUI/L). Foi realizada revisão sistemática de bancos de dados do ano 1950 a 30 de Junho de 2011. Foram coletados dados individuais de 52.674 participantes do total de 10 coortes. Eventos coronarianos foram analisados em 22.437 participantes de 6 coortes com dados disponíveis, enquanto incidência de FA foi analisada em 8.711 participantes de 5 coortes. Em análises ajustadas para sexo e idade, hipertireoidismo subclínico foi associado com aumento de mortalidade total (HR 1,24; IC95% 1,06-1,46), mortalidade cardiovascular (HR 1,29; IC95% 1,02-1,62) e FA (HR 1,68; IC95% 1,16-2,43). Não houve associação significativa com eventos coronarianos (HR 1,21; IC95% 0,99-1,46). Quando realizada análise multivariada (ajustada para fatores de risco cardiovasculares), manteve-se significativa apenas a associação com FA incidente (HR 1,71; IC95% 1,18-2,48). Houve uma tendência para aumento do risco de mortalidade cardiovascular (P 0,02) e de incidência de FA (P 0,03) com TSH suprimido (HR 1,84 [1,12-3,00] e HR 2,54 [1,08-5,99], respectivamente) quando comparado com TSH baixo (HR 1,24 [0,96-1,61] e HR 1,63 [1,10-2,41], respectivamente). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Foram incluídos apenas estudos com função tireoidiana basal, sem dados sobre o status de função tireoidiana durante o seguimento e no período próximo aos eventos;
  • Não foram considerados os valores de T3 para definição de hipertireoidismo subclínico, o que pode ter levado à inclusão inadequada de pacientes com tireotoxicose por T3 na análise;
  • Foram realizadas diversas análises de sensibilidade; quando limitadas as análises para estudos com procedimentos formais de julgamento dos desfechos, a associação com morte cardiovascular não sustentou significância.

Pílula do clube: O hipertireoidismo subclínico endógeno está associado com aumento do risco de fibrilação atrial, bem como parece se associar com aumento do risco de mortalidade cardiovascular (coronariana e morte súbita) e de mortalidade total.

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