sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Association of urinary sodium and potassium excretion with blood pressure

Andrew Mente, Martin J. O'Donnell, Sumathy Rangarajan, Matthew J. McQueen, Paul Poirier, Andreas Wielgosz, Howard Morrison, Wei Li, Xingyu Wang, Chen Di, Prem Mony, Anitha Devanath, Annika Rosengren, Aytekin Oguz, Katarzyna Zatonska, Afzal Hussein Yusufali, Patricio Lopez-Jaramillo, Alvaro Avezum, Noorhassim Ismail, Fernando Lanas, Thandi Puoane,  Rafael Diaz, Roya Kelishadi, Romaina Iqbal, Rita Yusuf, Jephat Chifamba, Rasha Khatib, Koon Teo and Salim Yusuf, D.Phil. forthe PURE Investigators.

NEJM 2014; 371: 601-611

Trata-se de estudo transversal aninhado a coorte prospectiva (Prospective Urban Rural Epidemiology Study), que avaliou associação entre os níveis de ingestão de sódio e potássio e a pressão arterial. Foram avaliados 102.216 indivíduos de ambos os sexos, de 35 a 70 anos, provenientes de 18 países de baixa, média e alta renda per capita, de 5 continentes. Foram realizados avaliação clínica, medidas antropométricas, duas medidas de pressão arterial em repouso e uma amostra de urina após jejum. A ingestão de sódio e potássio foi avaliada através da excreção estimada para urina de 24 horas (fórmula de Kawasaki). A excreção média diária de sódio foi estimada em 4,93 ± 1,73g e a de potássio em 2,12 ± 0,60g, com maior excreção em homens do que em mulheres. O padrão de excreção de sódio apresentou distribuição normal; 10,6% dos indivíduos apresentaram excreção < 3 g/dia; 45,9% apresentaram excreção de 3-5 g/dia e 43,5% apresentaram excreção > 5 g/dia. Houve correlação inversa entre a renda per capita nacional e excreção de sódio e correlação positiva com a excreção de potássio. Houve correlação positiva entre a excreção estimada de sódio e a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD). A cada aumento de 1 grama na excreção de sódio houve aumento de 1,46 mmHg na PAS e de 0,54 mmHg na PAD. A relação entre a excreção estimada de sódio e a PAS foi não linear, havendo maior aumento pressórico no grupo com excreção > 5 g/dia (2,58 mmHg por grama de Na) vs. no grupo de excreção entre 3-5 g/dia (1,75 mmHg por grama de Na). A exclusão de indivíduos com doença cardiovascular (8,5%), em uso de medicação anti-hipertensiva (14,5%) e de chineses (42%) da análise não alterou os resultados. A excreção estimada de sódio apresentou maior associação com o aumento de pressão arterial nos indivíduos hipertensos em relação aos não hipertensos, assim como em indivíduos com idade superior a 55 anos comparado aos com idade entre 45 a 55 anos. O padrão de excreção de potássio apresentou distribuição normal. Houve associação inversa entre a excreção estimada de potássio e a pressão arterial. A cada aumento de 1 grama na excreção de potássio houve diminuição de 0,75 mmHg na PAS e de 0,06 mmHg na PAD. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • A medida da excreção de sódio e de potássio urinário de 24 horas foi estimada através de fórmula e não por coleta de urina de 24 horas, estando sujeita a erro;
  • Houve grande número de perda de amostras de urina de indivíduos de países de menor renda, principalmente Índia, devido ao armazenamento inadequado das mesmas. As perdas, porém, parece não terem prejudicado os resultados;
  • O estudo demonstrou associação não linear entre a excreção urinária estimada de sódio e potássio e a pressão arterial, mas seu desenho transversal não permite definir causa e efeito entre as variáveis.


Pílula do clube: Existe associação positiva não linear entre excreção urinária estimada de sódio e níveis de pressão arterial.  A associação é maior para indivíduos com dieta rica em alimentos com sódio, hipertensos e com idade maior do que 55 anos. Existe associação inversa entre excreção urinária estimada de potássio e níveis de pressão arterial.


Discutido no Clube de Revista de 15/09/2014.

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