domingo, 26 de janeiro de 2014

Comentário do Clube de 20/01/2014

Lower risk of cardiovascular events in postmenopausal women taking oral estradiol compared with oral conjugated equine estrogens
Smith NL, Blondon M, Wiggins KL, Harrington LB, van Hylckama Vlieg A, Floyd JS, Hwang M, Bis JC, McKnight B, Rice KM, Lumley T, Rosendaal FR, Heckbert SR, Psaty BM

JAMA Intern Med 2014, 174:25-31.

Este estudo de caso-controle teve como objetivo comparar a incidência de AVC isquêmico, IAM e eventos trombóticos em pacientes recebendo terapia hormonal com estradiol oral ou estrogênios equinos conjugados (EEC). Para isso foram analisados os dados de mulheres menopáusicas participantes do estudo Heart and Vascular Health Study, estudo caso-controle de incidência de eventos cardiovasculares em homens e mulheres de 30-79 anos. Os casos foram definidos como aquelas mulheres com novos eventos trombóticos (TVP ou TEP), IAM ou AVC isquêmico. Os eventos foram identificados usando o código CID-9 para alta hospitalar e visitas a departamentos de urgência, e os diagnósticos posteriormente revisados pelos pesquisadores. Os controles incluíam aquelas mulheres sem histórico de eventos. Todas as participantes do estudo (casos e controles) estavam em uso de EEC ou estradiol oral e não poderiam estar em uso de anticoagulantes. O uso de terapia hormonal foi acessado através de banco de dados do estudo base, sendo que de 2003 a 2005 foi mais prescrito EEC e a partir de então estradiol via oral, e após isso as participantes foram encorajados a mudar de uma medicação para outra. Porém, 87% mantiveram o estrógeno prescrito inicialmente. Uma subamostra de participantes coletou sangue para cálculo do potencial trombótico. Foi realizado teste estatístico de regressão logística múltipla para cálculo do desfecho, havendo ajuste para potenciais confundidores, incluindo dose de estrógeno em uso. De janeiro de 2003 a dezembro de 2009 ocorreram 68 casos de eventos trombóticos, 67 de IAM e 48 de AVC isquêmico; 201 controles foram avaliados. O risco de eventos trombóticos foi maior nas mulheres que utilizavam EEC em comparação com as que usavam estradiol oral (OR, 2.08; 95% CI, 1.02-4.27; P = 0.045), não ocorrendo o mesmo com o risco de IAM ou AVC isquêmico (OR 1.87; 95%CI, 0.91-3.84; P = 0.09 e OR 1.13; 95% CI, 0.55-2.31; P = 0.74, respectivamente). O potencial trombótico foi 68% maior nas pacientes em uso de EEC vs. estradiol oral (OR 1,68, IC 1,24-2,28, p < 0,01). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • As limitações inerentes aos estudos observacionais de forma geral devem ser consideradas;
  •  A “validação” (através de medida do potencial trombótico) da hipótese pré-determinada de que haveria maior risco de eventos trombóticos na pacientes em uso de EEC reforça os achados do estudo;
  • Há necessidade de se realizar ensaio clínico randomizado com estradiol oral e desfechos trombóticos e cardiovasculares, já que os grandes estudos como o WHI e o HERS comparavam EEC com placebo.


Pílula do Clube: Neste estudo observacional, mulheres menopáusicas em uso de EEC apresentaram um risco maior de incidência de eventos trombóticos comparadas às em uso de estradiol oral, achados reforçados biologicamente pelo cálculo de maior protencial trombótico com o uso de EEC vs estradiol oral.

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