sábado, 4 de janeiro de 2014

Comentário do Clube de Revista de 09/12/2013

Association of Nut Consumption with Total 
and Cause-Specific Mortality
Bao Y, Han J, Hu FB, Giovannucci EL, Stampfer MJ, 
Willett WC, Fuchs CS

N Engl J Med. 2013 Nov 21;369(21):
2001-2011

Este estudo teve como objetivo avaliar a associação do consumo de nozes com mortalidade total e mortalidade por causa específica. Foram avaliadas duas coortes prospectivas independentes: Nurses’ Health Study (NHS; 1980–2010; inclusão apenas de enfermeiras) e Health Professionals Follow-up Study (HPFS; 1986-2010; inclusão apenas de homens profissionais de saúde). A taxa de seguimento de ambas as coortes foi maior que 90%. Após exclusão de participantes com história de câncer, cardiopatia ou AVC, bem como daqueles sem dados sobre consumo de nozes, medidas antropométricas e atividade física, foram analisados 76.464 mulheres do NHS e 42.498 homens do HPFS. O consumo de nozes foi avaliado por um questionário validado de frequência alimentar no basal e atualizado a cada 2 a 4 anos. Durante seguimento de 3.038.853 pessoas-ano, houve 27.429 mortes (16.200 mulheres e 11.229 homens). O consumo de nozes foi inversamente associado com mortalidade total tanto entre homens quanto entre mulheres. Comparativamente com participantes que nunca consumiam nozes, o HR agrupado e ajustado para múltiplos fatores de risco foi de 0,93 (IC95% 0,90-0,96) quando consumo menor que 1x por semana, 0,89 (IC95% 0,86-0,93) quando consumo 1x por semana, 0,87 (IC95% 0,83-0,90) quando consumo 2 a 4x por semana, 0,85 (IC95% 0,79-0,91) quando consumo 5 a 6x por semana e 0,80 (IC95% 0,73-0,86) quando consumo 7x ou mais por semana (P < 0,001 para tendência). A associação encontrada se manteve em todas as análises de sensibilidade realizadas, bem como na análise de subgrupos (incluindo análise separada do consumo de amendoim e outras nozes). Associações inversamente significativas foram observadas entre consumo de nozes e morte por câncer (P para tendência = 0,03), por doença cardiovascular (P < 0,001) e por doença respiratória (P = 0,005). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Os participantes que consumiam mais nozes tinham mais chance de serem ativos e não tabagistas, de usar multivitamínicos e de consumir mais frutas, vegetais e álcool em quantidade moderada. Dessa forma, mesmo considerando-se esses ajustes na análise estatística, o consumo de nozes poderia apenas fazer parte de um estilo de vida mais saudável;
  • A hipótese de causalidade reversa (pessoas doentes não consumiriam nozes) é uma possível explicação para os achados;
  • O consumo de nozes foi verificado por auto relato, sem ser realizado controle objetivo (uso de biomarcadores, por exemplo);
  • Não houve descrição do método de preparo das nozes;
  • Não foi controlado o nível socioeconômico nas análises multivaridas e este é um fator associado a presença de doença cardiovascular;
  • Visto o estudo ser observacional, não é possível estabelecer relação de causa e efeito.


Pílula do clube: Na análise de duas coortes grandes e independentes, a frequência do consumo de nozes foi inversamente associada com mortalidade total e mortalidade causa-específica. 

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