domingo, 19 de maio de 2019

Associations of Dietary Cholesterol or Egg Consumption with Incident Cardiovascular Disease and Mortality


Zhong VW, Van Horn L, Cornelis MC, Wilkins JT, Ning H, Carnethon MR, Greenland P, Mentz RJ, Tucker KL, Zhao L, Norwood AF, Lloyd-Jones DM, Allen NB.

JAMA 2019, 321(11):1081-1095.

Trata-se de um estudo para avaliar a associação do colesterol da dieta ou consumo de ovo com a incidência de doença cardiovascular e mortalidade. Baseou-se em 6 coortes diferentes que avaliaram padrões de dieta do Lifetime Risk Pooling Project, que compreende 20 coortes prospectivas dos Estados Unidos. Apenas os relatos da linha de base foram incluídos no estudo e foram excluídos indivíduos com doença cardiovascular prévia no início do estudo, pessoas com dietas menores do que 500 kcal ou maiores que 6000 kcal por dia ou com dados faltantes para qualquer uma das variáveis. O desfecho primário foi incidência de doença cardiovascular e mortalidade. O desfecho doença cardiovascular correspondia a um composto de infarto fatal e não fatal, doença coronariana, AVC, insuficiência cardíaca, ou morte cardiovascular por outras causas. Os desfechos secundários correspondiam à doença coronariana, AVC, ICC, mortalidade cardiovascular e não-cardiovascular. Os diagnósticos foram feitos por CID (8, 9, 10), procedimentos diagnósticos, revisão de prontuários, autópsia, e foi aferido o estado vital de 98% dos participantes. Foram elaborados três modelos para ajustes: o modelo 2 utilizou idade, sexo, etnia, educação, consumo energético, tabagismo, maços/ano, atividade física, consumo de álcool, terapia hormonal. Em adição a estas variáveis, também houve ajuste para nutrientes correlacionados ao colesterol da dieta (gordura saturada, trans, proteína animal, carne vermelha). Foram realizadas análises de sensibilidade e harmonização tendo em vista que as coortes eram heterogêneas.
Foram avaliados 29.615 participantes, 524.376 pessoas-ano, média de idade no início do estudo 51 anos, maior parte brancos, 44,9% de homens com seguimento médio de 17,5 anos. Ocorreram 5.400 eventos cardiovasculares e 6.132 mortes por todas as causas. O consumo de 300 mg adicionais de colesterol na dieta por dia associou-se a maior risco de incidência de doença cardiovascular (DCV) quando ajustado pelo modelo 2 (HR 1,17 IC95% 1,09-1,26), associação que perdeu significância estatística quando ajustado também para consumo de ovos e carne vermelha, assim como para  mortalidade por todas as causas (HR 1,18 IC95% 1,10-1,26), com perda de significância após ajuste para consumo de ovos e para consumo de ovos e carne vermelha. O consumo de cada meio ovo adicional ao dia também se associou à incidência de DCV (HR 1,06 IC95% (1,03-1,10), com perda de significância após ajuste para quantidade de colesterol da dieta. Esta associação demonstrou padrão dose-resposta. Essa associação em relação aos desfechos cardiovasculares foi mais relacionada a AVC e ICC e mortalidade cardiovascular. Foi discutido no clube
·         Apesar de tratar-se de estudo com vantagens como longo tempo de seguimento e ajustes para muitas variáveis, apresenta algumas limitações como: heterogeneidade das coortes que foram agrupadas, erros por auto relato do padrão de dieta, fatores confundidores residuais, avaliação da dieta ocorreu apenas na linha de base;
·         A validade externa é prejudicada tendo em vista que o padrão de dieta norte americano rico em produtos industrializados e hipercalórico, assim como a elevada prevalência de obesidade pode ter influenciado nos resultados;
·         Os autores não realizaram metanálise dos dados das coortes e sim uma análise única dos dados, o que não pareceu a metodologia mais adequada;
·         Não foi relatado se pacientes com risco cardiovascular aumentado poderiam estar tendo algum cuidado na dieta ao longo da observação.

Pílula do Clube: este estudo que agrupou dados de 6 coortes prospectivas dos Estados Unidos, associou um maior consumo de ovos e colesterol com doença cardiovascular e mortalidade. As limitações inerentes ao delineamento observacional e a baixa validade externa limitam a aplicação desses resultados.

Discutido no Clube de Revista de 29/04/2019.

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