segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Hormonal Contraception and Risk of Thromboembolism in Woman with Diabetes

Sarah H. O’Brien, Terah Koch, Sara K. Vesely, Eleanor Bimla Schwarz.

Diabetes Care 2017, 40(2):233-238.

Trata-se de estudo de coorte realizado nos EUA com objetivo de avaliar o risco de trombose venosa (TV) entre os métodos de contracepção hormonal disponíveis em mulheres com diabetes. Foi utilizada a base de dados Clinformatics (47 milhões de pacientes asseguradas por plano de saúde) e participaram do estudo mulheres entre 15-45 anos que possuíam CID de diabetes no prontuário. Os desfechos trombose, AVC e IAM foram avaliados através do CID em prontuário. Para o diagnóstico de TV a paciente deveria ter dispensação de anticoagulante por pelo menos um mês. O estudo separou os anticoncepcionais por método, tipo de progesterona e dose de estrogênio. A análise estatística foi realizada através do modelo de Cox ajustado para idade, diabetes avançado, tabagismo, obesidade, hiperlipidemia e câncer.
Foram selecionados registros de 146.080 mulheres que preenchiam os requisitos do estudo; 70% não utilizam nenhum método anticoncepcional, 4% utilizavam progesterona apenas e 25% utilizavam medicação contendo estrogênio. Das mulheres analisadas, 25% tinham diabetes com complicações, 34% eram hipertensas e 9% eram fumantes. Quando analisados os contraceptivos com estrogênio, não houve diferença no risco de TV entre os grupos com menos ou mais de 30 mcg de estrógeno (RR 0,79 IC95%0,48-1,05 P=0,09). Também não houve diferença entre as usuárias de diferentes tipos de progesterona (desogestrel, drosperinona, gestodeno e pílula só de progesterona). Quando comparados aos contraceptivos orais, o patch transdérmico se associou a aumento de risco de TV (RR 1,68 IC95%1,14- 2,49 P=0,0091).  Ao comparar-se os anticoncepcionais que apenas possuíam progesterona na sua composição com o DIU, a pílula com progesterona (RR 3,69 IC95% 2,10-8,77 P<0,0001) e a medroxiprogesterona depósito (RR 4,69 IC95% 2,51-6,48 P<0,0001) se associaram com aumento de risco de TV. Quando comparado o anticoncepcional oral combinado com o de apenas progesterona, houve aumento de eventos tromboembólicos em mulheres com menos de 35 anos (RR 0,6 IC95% 0,4-0,81 P=0,0009), já nas com mais de 35 anos não houve maior risco de TV. Comparado com nenhum método em uso, o anticoncepcional oral contendo estrógeno se associou com aumento de risco (RR 3,638 IC95% 2,94-3,88 P< 0,0001) e o apenas com progesterona igualmente (RR 2,02 IC95% 1,51- 2,07 P< 0,0001). Foram discutidos no clube os seguintes aspectos:
·         A prevalência de mulheres em idade fértil com diabetes sem uso de métodos anticoncepcionais é muito alta. Considerando que a gestação em uma paciente sem controle glicêmico adequado pode aumentar a chance de mal formações fetais  e de outras complicações, este fato é grave;
·         A prevalência de TV no grupo etário avaliado é muito baixa; apesar do diabetes e do anticoncepcional hormonal oral serem fatores de risco para aumento de TV, este se manteve baixo;
·         Observou-se aumento de eventos tromboembólicos em todos grupos analisados, apesar da baixa prevalência. O método com maior risco foi o patch transdérmico, contudo o resultado não foi ajustado para possíveis fatores de risco que possam ter influenciado o resultado, como trombofilias e traumas;
·         O método que menos se associou com eventos tromboembólicos foi o DIU, sendo um método extremamente eficaz e sem aumento de eventos trombóticos descritos na literatura.

Pílula do Clube: Neste estudo observou-se um maior número de eventos tromboembólicos com o uso de anticoncepcional hormonal quando comparado com o não uso. Quando analisado em um contexto maior, o risco é extremamente baixo e, portanto, o estudo não suporta evidência que contraindique o uso do anticoncepcional hormonal em mulheres com diabetes.


Discutido no Clube de Revista de 30/01/2017.

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