quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Diabetes and Cause- Specific Mortality in Mexico City

Jesus Alegre-Díaz, William Herrington, Malaquías López-Cervantes, Louisa Gnatiuc, Raul Ramirez, Michael Hill, Colin Baigent, Mark I. McCarthy, Sarah Lewington, Rory Collins, Gary Whitlock, Roberto Tapia-Conyer, Richard Peto, Pablo Kuri-Morales, and Jonathan R. Emberson.


N Engl J Med 2016, 375:1961-1971.

Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo com seguimento de 12 anos. O recrutamento dos pacientes foi realizado na Cidade do México entre 1998 e 2004, incluindo indivíduos acima de 35 anos residentes em dois distritos da cidade. Os pacientes incluídos responderam a questionário socioeconômico e coletaram amostra de sangue. O desfecho avaliado foi mortalidade (busca ativa em registro nacional seguida de visitas domiciliares para confirmação). Morte devida ao diabetes era considerada apenas quando ocorria por evento hiperglicêmico agudo. Na análise estatística utilizou-se o modelo de regressão de COX para avaliação de diabetes e mortalidade, ajustado para idade ao diagnóstico, fumo, e características antropométricas, calculando-se a taxa média de proporções entre pessoas com e sem diabetes. A análise de mortalidade foi estratificada por idade e por ter ou não diabetes. Pacientes com comorbidades prévias e maiores de 85 anos foram excluídos do estudo. Participaram do estudo 47.887 homens e 98.159 mulheres. A média de idade entre os pacientes diabéticos era de 59 anos e entre os não diabéticos era de 50 anos. Cerca de 34% dos pacientes com diabetes tinham HbA1c acima de 10%; 70% eram tratados com sulfoniluréias  e 19%  com metformina. Os pacientes com diabetes tiveram maior mortalidade durante o estudo; sendo que o impacto do DM sobre a mortalidade parecia diminuir com a idade: 5,4 (IC95% 5,0-6,0) entre 35 e 59 anos, 3,1 (IC95% 2,9-3,3) entre 60 e 74 anos e 1,9 (IC95%, 1,8-2,1) no grupo de 35-44 anos. A prevalência de diabetes foi aumentando progressivamente com a idade, chegando a 20% aos 60 anos. Na análise de mortalidade por causa específica, os pacientes diabéticos morreram mais por problemas renais [RR 20,1(IC95% 17,2 -23,4)] e cardíacos [RR 3,7 (IC95% 3,2 -4,2)]. De todas as mortes registradas 8 % faleceram diretamente devido a crises agudas relacionadas ao diabetes. Durante o clube foram discutidos os seguintes aspectos:
·         Este foi um dos primeiros estudos a ser realizado em um país subdesenvolvido, aproximando-se muito mais da realidade latina que estudos prévios;
·         A mortalidade dos pacientes diabéticos neste estudo foi maior, quando comparada com estudos prévios (realizados em países desenvolvidos). Esta diferença pode estar relacionada a pior controle do DM e de comorbidades e/ou diferenças sócio-econômicas;
·         Este estudo demonstrou alta prevalência de diabetes na população estudada (até 20%) quando comparado com outros estudos. O estudo demonstra uma realidade mais consistente com pacientes cronicamente descompensados e portadores de múltiplas complicações;
·         Uma grande proporção dos pacientes utilizava glibenclamida e um proporção pequena deles utilizava metformina, o que não seria esperado em grupo de pacientes com DM2;
·         Os pacientes com diabetes além de apresentarem um risco maior de morte por qualquer causa, tiveram maiores taxas de doenças que podem estar associadas a mau controle glicêmico, como doença renal e cardiovascular.

Pílula do Clube: Esta coorte retrospectiva em população latina mostra maior mortalidade dentre pacientes com diabete quando comparada com populações de países desenvolvidos, especialmente por causas renais e cardíacas.


Discutido no Clube de Revista de 07/12/2016.

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