terça-feira, 8 de maio de 2012

Comentário do Clube de Revista de 19/03/2012


A 12-Month Phase 3 Study of Pasireotide in Cushing’s Disease
Annamaria Colao, Stephan Petersenn, John Newell-Price, James W. Findling, Feng Gu, Mario Maldonado, Ulrike Schoenherr, David Mills, Luiz Roberto Salgado, and Beverly M.K. Biller,
 for the Pasireotide B2305 Study Group

N Engl J Med 2012; 366:914-24.


            Neste ECR, duplo cego e multicêntrico, foram randomizados 162 pacientes com Doença de Cushing persistente/recorrente ou não candidatos a tratamento cirúrgico. A atividade da doença foi definida como cortisolúria maior ou igual a 1,5 vezes o limite superior, e os pacientes foram excluídos se haviam realizado radioterapia hipofisária nos 10 anos precedentes, apresentassem compressão de quiasma óptico, colelitíase sintomática ou hemoglobina glicada> 8%. O medicamento em estudo foi o Pasireotide (um análogo da somatostatina) nas doses de 600 mcg ou 900 mcg duas vezes por dia. A dose poderia ser aumentada se não houvesse controle da doença com a dose inicial. O desfecho primário avaliado foi a normalização da cortisolúria. O desfecho primário foi atingido em 12/82 (14,6%) pacientes no grupo da dose de 600 mcg e 21/80 (26,2%) pacientes no grupo da dose de 900 mcg. O principal efeito adverso foi a hiperglicemia (40% dos pacientes, sendo que 45% dos pacientes necessitaram da adição de novo antidiabético). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • O estudo tem características de fase II e não fase III, como citado pelos autores, uma vez que não inclui grupo comparador e utiliza somente pacientes com a doença e com diferentes doses do medicamento em estudo;
  • Os pacientes que não controlavam a cortisolúria em 3 meses tinham sua dose de medicamento aumentada, perdendo-se o cegamento e a randomização;
  • Foram excluídos no início do estudo aqueles pacientes que eram considerados candidatos inapropriados para a terapia;
  • Não foram descritos os pacientes excluídos no início do estudo: De um total de 329 avaliados, somente 162 foram randomizados; e destes, somente 103 terminaram o estudo;
  • Os pacientes que não apresentam eficácia do medicamento eram excluídos do estudo;
  • Não havia grupo placebo ou grupo comparador ativo;
  • A discussão/conclusão dos autores, que o Pasireotide seria uma opção no tratamento dos pacientes com Doença de Cushing, não foi adequada .

Pílula do Clube: O uso de Pasireotide em pacientes com Doença de Cushing não controlada parece diminuir a cortisolúria, porém as diversas limitações apontadas acima para este estudo ainda não permitem incorporar o novo medicamento no cuidado destes pacientes.


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