quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Microvascular Complications of Posttransplant Diabetes Mellitus in Kidney Transplant Recipients: A Longitudinal Study


Thizá Massaia Londero, Luana Seminotti Giaretta, Luisa Penso Farenzena, Roberto Ceratti Manfro, Luis Henrique Canani, Daniel Lavinsky, Cristiane Bauermann Leitão, and Andrea Carla Bauer

J Clin Endocrinol Metab 2019, 104(2):557-567.

Diabetes Mellitus Pós Transplante – DMPT recebe essa denominação para hiperglicemia persistente pós-transplante desde 2014. Há poucos estudos avaliando complicações microvasculares neste tipo de diabetes, e o objetivo do presente estudo foi avaliar o curso clínico das complicações microvasculares diabéticas em receptores de transplante renal com mais de 5 anos de diagnóstico de DMPT. Foi feito uma coorte com dados históricos de pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, transplantados renais de 2000 a 2011; dos 895 pacientes que fizeram transplante de rim, 40 foram avaliados por DMPT por mais de 5 anos, e 51 selecionados como controles, sem DMPT. Foram avaliadas complicações microvasculares: retinopatia – por SS-OCT e foto de fundo de olho; neuropatia periférica – questionário MSNI e monofilamento 10g; neuropatia autonômica – testes de Ewing e hipotensão postural; nefropatia – creatinina (TFGe por CKD-EPI) e índice proteína/creatinina na urina (IPC).
Nos resultados, a média de DMPT foi de 8 anos, e de hemoglobina glicada de 7,4%. Não houve diferença entre pacientes com e sem DMPT em relação a neuropatia autonômica, nefropatia e retinopatia (nenhum paciente avaliado apresentou alteração de retinopatia no fundo de olho). Mais de 60% dos pacientes com DMPT tiveram polineuropatia (OR 1,55; IC95% 1,26 a 1,91; P < 0,001), e mais pacientes com DMPT tiveram a camada retiniana avaliada por SS-OCT mais fina. Os seguintes pontos foram discutidos no Clube de Revista:
·       A maioria dos estudos bem conduzidos sobre DMPT avaliou complicações relacionadas ao transplante (mortalidade, perda de enxerto, doença cardiovascular) e este seria um estudo com desenho adequado para avaliar as complicações da hiperglicemia;
·       Um estudo anterior que avaliou complicações de DMPT era antigo (2007), com terapias diferentes na época para imunossupressão e infecções, e buscou por dados de CID-9 as complicações, não sendo dados específicos para diabetes. Na época, por esse estudo, as complicações seriam prevalentes (mais de 58% dos pacientes tinham pelo menos uma complicação), e foi avaliado até 3 anos de seguimento, o que levou ao pensamento de que as complicações se dariam de forma acelerada;
·       O presente estudo teve complicações microvasculares do DMPT com prevalência menor que a esperada;
·       Ausência de retinopatia foi inesperado (esperado de 6 a 23% para DM1 – por exemplo). Especula-se que afinamento da retina seja um achado inicial;
·       Ausência de diferença em função renal é semelhante a outros estudos;
·       Neuropatia autonômica interpretada com ressalvas devido às medicações em uso e a própria DRC – mais estudos são necessários;
·       O DMPT parece ser um tipo único de diabetes – não tão insulinopênico como DM1 e não tão inflamatório quanto tipo 2 – com repercussões mais leves em órgãos alvo em relação a complicações microvasculares.

Pílula do Clube: A prevalência de complicações microvasculares em pacientes com DMPT foi menor que o esperado neste estudo que avaliou pacientes com média de 8 anos de doença. Sugere-se avaliar neuropatia periférica após 5 anos do diagnóstico, e mais estudos para avaliar demais complicações, particularmente as alterações na retina.

Discutido no Clube de Revista de 16/12/2019.

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