quarta-feira, 24 de junho de 2015

Potential Overtreatment of Diabetes Mellitus in Older Adults With Tight Glycemic Control

Kasia J Lipska, Joseph S Ross, Yinghui Miao, Nilay D Shah, Sei J Lee, Michael A Steinman

JAMA Intern Med 2015; 175(3):356-362.

     O estudo teve o objetivo de avaliar o controle glicêmico em idosos com diabetes mellitus (DM) de acordo com suas comorbidades e estimar a prevalência do possível overtreatment nesta população. Trata-se de análise do estudo de coorte NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey) no período de 2001 a 2010. Os pacientes incluídos deveriam ter mais de 65 anos, diagnóstico de DM feito por um profissional da saúde e pelo menos uma medida de HbA1C. Os participantes eram classificados de acordo com seu estado de saúde em: poor health status (em hemodiálise ou com dificuldade de realização de ≥2 atividades funcionais diárias), intermediate health status (≥3 comorbidades crônicas ou com dificuldade de realização de ≥2 atividades instrumentais diárias) e relatively healthy (não preenchiam os critérios das outras categorias). As atividades funcionais incluíam vestir-se, caminhar e comer sozinho; as atividades instrumentais eram definidas como a capacidade de manejar o próprio dinheiro, preparar refeições e cuidar da casa. Os pacientes foram divididos de acordo com seu controle glicêmico: estrito (HbA1C < 7%), moderado (HbA1C 7-8,9%) e mau controle ( >9%). Também foi analisado o uso de medicações antidiabéticas nos 30 dias anteriores à data de coleta dos dados. Foram incluídos 1.288 pacientes. A média de idade dos pacientes era de 73,2 anos, mais que 1/3 da amostra apresentava pelo menos uma limitação funcional ou instrumental. Dos pacientes incluídos, 21,2% se incluíam no poor health status, 28,2% se incluíam em intermediate health status e 50,2% se incluíam em relatively healthy.
A maior parte dos idosos (61,7%) tinham HbA1C < 7%; 6% tinham mau controle, e 32,2% apresentavam um controle moderado. Entre os pacientes com controle estrito, cerca de 42% tinham medidas de HbA1C abaixo de 6,5%.  Não houve diferença entre os pacientes com estrito, moderado ou mau controle glicêmico quanto às categorias de health status (P=0,43). Entre os pacientes com HbA1C abaixo de 7%, a maior parte (54,9%) realizava tratamento com insulina ou sulfoniluréia. Essa proporção também não variou de acordo com o health status (P=0,14). Durante os 10 anos de seguimento, o grupo com controle glicêmico estrito e classificado como relatively health teve redução na proporção de usuários de insulina/sulfoniluréias (P=0,05). O mesmo não foi observado nos grupos com HbA1C > 7%, nos quais o uso destas medicações permaneceu estável. Durante o clube de revista foram discutidos os seguintes pontos:
  • Apesar da ausência de benefícios e dos riscos comprovados em manter idosos como controle glicêmico estrito, a maior parte dos pacientes apresentava HbA1C abaixo de 7%, mesmo aqueles com comorbidades significativas;
  • O uso de insulina/sulfoniluréias foi bastante prevalente entre os pacientes com controle estrito. Aumento do risco de hipoglicemias seria esperado, mas este desfecho não foi avaliado;
  • Os dados coletados vão até 2010, antes das modificações dos alvos glicêmicos estabelecidas pela ADA (flexibilizados para idosos e com comorbidades).


Pílula do Clube: A maior parte dos idosos em tratamento para DM, mesmo que com comorbidades significativas, manteve seu controle glicêmico estrito. Maior risco de hipoglicemias deve ser esperado, com benefício clínico questionável neste grupo de pacientes.


Discutido no Clube de Revista de 06/04/2015.

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