terça-feira, 31 de maio de 2011

Exercício e DM: revisão sistemática e metanálise

Physical activity advice only or structured exercise training and association with HbA1c levels in type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis.
Umpierre D, Ribeiro PA, Kramer CK, Leitão CB, Zucatti AT, Azevedo MJ, Gross JL, Ribeiro JP, Schaan BD.
JAMA. 2011 May 4;305(17):1790-9

Pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, realizaram uma revisão sistemática com metanálise de estudos com pacientes diabéticos tipo 2, intervenções de diferentes tipos de treinamento físico, e avaliação da hemoglobina glicada (HbA1c) como desfecho. O artigo, que traz dados de 47 estudos originais e totaliza mais de 8500 pacientes incluídos, foi publicado no JAMA, e recebeu grande atenção internacional, como editorial no mesmo número do JAMA e comentário no British Medical Journal.
Os efeitos do treinamento físico estruturado (exercício feito sob supervisão profissional e planejamento individual) foram analisados a partir de 23 estudos. Esta forma de exercício se associou à redução dos níveis de HbA1c em comparação a grupos controle não submetidos a treinamento físico. Todos os tipos de treinamento físico estruturado estiveram associados a benefícios sobre o controle glicêmico, sem diferença entre eles: redução absoluta da HbA1c de 0,73% com os exercícios aeróbicos, de 0,57% com os exercícios resistidos e 0,51% com a combinação de ambos.
A análise de sensibilidade indicou que a quantidade de treinamento físico maior do que 150 minutos proporcionou as maiores reduções de HbA1c, enquanto estudos que avaliaram quantidade semanal de 150 minutos ou menos promoveram melhora do controle glicêmico, porém em menor magnitude. Uma vez que as diretrizes usam a quantidade de 150 minutos como a recomendação semanal de exercício, os dados da revisão sugerem quantidades superiores a este ponto de corte para maximizar o benefício.
O estudo também mostrou a eficácia da recomendação de atividade física (quando o paciente é orientado a exercitar-se, sem um planejamento específico e sem ser supervisionado por profissional da área da saúde) sobre a melhora do controle glicêmico. Esta forma de exercício se associou à redução absoluta de HbA1c menor do que aquela obtida com exercício físico supervisionado, de 0.43%. Quando a recomendação de atividade física é associada com orientação de dieta, o controle glicêmico é melhorado no diabetes tipo 2, o que não ocorre se a recomendação de atividade física é realizada isoladamente.
No editorial do JAMA publicado no mesmo número, o Dr. Marco Pahor, da Universidade da Flórida, comentou que evidências sólidas dos últimos anos sugerem que governantes e planos de saúde repensem as políticas de saúde, considerando programas de exercício como estratégias para promover saúde e reduzir gastos com tratamentos, especialmente em populações de alto risco.

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