quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Albiglutide and cardiovascular outcomes in patients with type 2 diabetes and cardiovascular disease (Harmony Outcomes): a double-blind, randomised placebo-controlled trial

Adrian F Hernandez, Jennifer B Green, Salim Janmohamed, Ralph B D’Agostino Sr, Christopher B Granger, Nigel P Jones, Lawrence A Leiter, Anne E Rosenberg, Kristina N Sigmon, Matthew C Somerville, Karl M Thorpe, John J V McMurray, Stefano Del Prato, for the Harmony Outcomes committees and investigators*

Lancet. 2018 Oct 27;392(10157):1519-1529

            Os agonistas do receptor de GLP-1 diferem em sua estrutura química, duração da ação e em seus efeitos nos desfechos clínicos. Os efeitos cardiovasculares da albiglutida, uma vez por semana, no diabetes tipo 2 são desconhecidos, e para avaliar sua segurança e eficácia, foi feito um ensaio clínico randomizado, controlado por placebo, em 610 locais de atendimento de saúde, em 28 países na América do Norte e do Sul, Europa, África e Ásia. Foram incluídos indivíduos com idade igual ou superior a 40 anos, com diagnóstico de diabetes tipo 2 e doença coronariana, cerebrovascular ou arterial periférica estabelecidas, com concentração de HbA1c maior que 7%. Foram randomizados 9.463 pacientes em 1:1 para receber albiglutida 30mg vs. placebo, subcutâneo, uma vez por semana, podendo a dose ser aumentada para 50mg. O desfecho primário avaliado foi o MACE (morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral).
A população teve idade média de 64 anos, 70% do sexo masculino, e tiveram duração média de seguimento de 1,6 anos. O desfecho primário composto ocorreu em 338 (7%) de 4.731 pacientes, com uma taxa de incidência de 4,6 eventos por 100 pessoas-ano no grupo albiglutida, e em 428 (9%) de 4.732 pacientes com uma taxa de incidência de 5,9 eventos por 100 pessoas-ano no grupo placebo (HR 0,78, IC95% 0,68-0,90), o que indicou que a albiglutida era superior ao placebo (P <0,0001 para a não inferioridade; P = 0,006 para superioridade). Nos desfechos secundários, apenas favoreceu a albiglutida a avaliação do infarto agudo do miocárdio fatal e não fatal, com HR 0,75 (IC95% 0,61–0,90). O único efeito adverso que foi mais frequente no grupo da albiglutida que no placebo foi a reação ao sítio da injeção, com risco relativo 2,96 (IC95% 1,95–4,51), já hipoglicemias graves e aumento de alanina aminotransferase acima de 5 vezes o limite superior da normalidade, ocorreu mais no grupo placebo do que no da albiglutida, de maneira significativa. Os seguintes pontos foram discutidos no Clube de Revista:
  • A alteração para um tempo mínimo de 1,5 anos junto com 611 eventos ocorreu após o início do estudo e esta mudança não está registrado no Clinical Trials;
  • Um ponto forte foi a possibilidade do médico assistente incluir qualquer medicação no tratamento da diabetes tipo 2 para melhorar controle glicêmico (incluindo inibidores da SGLT-2 e Inibidores da DPP-4), exceto acrescentar agonistas do GLP-1;
  • O fármaco mostrou não-inferioridade e superioridade, de maneira semelhantes aos estudos LEADER (liraglutida) e SUSTAIN-6 (semaglutida), e teve resultados melhores que ELIXA (lixisenatide) e ESXCEL (exenatide), sendo possível essa diferença devido à heterogeneidade dos estudos, e também à composição diferente das medicações (lixisenatide e exenatide são derivados da exendin-4);
  • O estudo teve a limitação de um tempo de seguimento curto, além de não avaliar lipídios e excreção urinária de albumina, e não avaliar em mais detalhes as complicações microvasculares do DM2;
  • O estudo tem a limitação de ter sido conduzido pela indústria farmacêutica.

Pílula do Clube: A albiglutida, quando adicionada ao tratamento padrão de pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida, reduziu o risco de eventos cardiovasculares em 22% com segurança aceitável, quando comparado com placebo.


Discutido no Clube de Revista de 17/12/2018.

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