domingo, 3 de setembro de 2017

Treatment Deintensification Is Uncommon in Adults with Type 2 Diabetes Mellitus: A Retrospective Cohort Study

Finlay A. McAlister, Erik Youngson, Dean T. Eurich

Circ Cardiovasc Qual Outcomes 2017,10:e003514.

Desintensificação de terapia hipoglicemiante em indivíduos com DM2 com critérios para tal, objetivando menos danos aos mesmos, é tendência atual. O estudo é uma coorte retrospectiva com dados da Optum Insight de 2004 a 2010, buscando avaliar se o nível de HbA1c e o estado de saúde previam a desintensificação do tratamento para DM. Foram incluídos pacientes com DM2 recentemente diagnosticado, em tratamento ativo, idade ≥ 20 anos com pelo menos uma internação, com uma medição de HbA1c, e com dados de comorbidades que permitissem avaliar seu estado de saúde (N = 99.694). Tais indivíduos foram classificados em 4 categorias de controle glicêmico (HbA1c < 6%, 6-6,4%, 6,5-7,5% ou > 7,5%) e 3 categorias com base no estado de saúde (relativamente saudável, múltiplas comorbidades ou frágeis) e avaliou-se se estas categorias se associavam à descontinuação ou redução de dose de pelo menos um hipoglicemiante. Desintensificação foi definida como a descontinuação/redução da dose de pelo menos um hipoglicemiante nos 120 dias após a medida da HbA1c e, para insulina, foi definida como passar de insulinas de ação curta e longa à ação longa isolada ou descontinuar a mesma. Foram utilizadas ANOVA e χ² para comparar características entre níveis de HbA1c, e modelo de regressão logística para avaliar a interação entre o estado de saúde e a HbA1c.
Embora as taxas de desintensificação de tratamento tenham sido levemente maiores (20.934 – 21%) em pacientes frágeis vs. saudáveis (17.944 – 18%), o tratamento para DM foi reduzido ou descontinuado em menos de 25% de todos os indivíduos, incluindo apenas 21% daqueles com HbA1c < 6%. Não se encontrou um aumento na desintensificação mesmo após 2008, quando foram publicados os resultados do estudo ACCORD (aumento na mortalidade em pacientes em tratamento hipoglicemiante intensivo). Embora a população estudada neste artigo seja mais jovem, ~12% dos participantes foram classificados como frágeis; e, surpreendentemente, foi identificado apenas taxas levemente mais elevadas de desintensificação nessa população, que provavelmente não se beneficia com controle glicêmico intensivo por apresentar maior risco de hipoglicemia. A conclusão deste estudo confirma achados de estudos prévios (Veterans’ Administration – média de idade 66 e 78 anos/OptumLabs Data Warehouse – média de idade 58 anos) em outras populações (média de idade maior – pacientes mais velhos) de que a desintensificação do tratamento para DM é incomum, independentemente do estado da saúde, comorbidades ou nível de controle glicêmico. Durante o clube foram discutidos os seguintes aspectos:
·                    Estudo de coorte (observacional) – avaliados fragilidade e estado de saúde usando dados de prontuário, o que pode ter subestimado a avaliação de algumas doenças (como dor crônica, depressão, demência);
·                    Não foi possível avaliar a desintensificação da insulina, pois as prescrições médicas normalmente não especificavam as unidades usadas, o que limita o valor do estudo, já que geralmente o primeiro hipoglicemiante que o médico costuma reduzir é a própria insulina.

Pílula do Clube: A desintensificação de hipoglicemiantes é rara, pelo menos em uma população mais jovem, em pacientes com DM tipo 2 recentemente diagnosticado, havendo tendência ao supertratamento.


Discutido no Clube de Revista de 21/08/2017.

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