domingo, 15 de março de 2015

Effects of high versus low glycemic index of dietary carbohydrate on cardiovascular diasease risk factors and insulin sensivity: The OmniCarb Randomized Clinical Trial

Frank M. Sacks; Vincent J. Carey; Cheryl A. M. Anderson; Edgar R. Miller III; Trisha Copeland; Jeanne Charleston; Benjamin J. Harshfield; Nancy Laranjo; Phyllis McCarron; Janis Swain; Karen White; Karen Yee; Lawrence J. Appel

JAMA 2014, 312(23):2531-2541.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado (ECR) cruzado conduzido de abril de 2008 a dezembro de 2010, cujo propósito era determinar o efeito do índice glicêmico nos fatores de risco para doença cardiovascular em uma população adulta com sobrepeso e/ou obesidade e hipertensão estágio I (ou pré-hipertensão). Eram elegíveis aqueles maiores de 30 anos, com os fatores supracitados, sem doença cardiovascular (DCV), diabete melito (DM) ou doença renal crônica e que não estivessem em uso de anti-hipertensivos ou hipolipemiantes. Foram propostas quatro combinações de dieta: (1) alto índice glicêmico + alto aporte de carboidratos, (2) baixo índice glicêmico + alto aporte de carboidratos, (3) alto índice glicêmico + baixo aporte de carboidratos e (4) baixo índice glicêmico + baixo aporte de carboidratos. Considerou-se índice glicêmico baixo ≤ 45 e alto ≥ 65, e aporte total diário de carboidratos baixo 40% e alto 58%, tendo como base para o plano alimentar as dietas DASH e OmniHeart. A dieta DASH consiste em cardápio rico em frutas e vegetais (5 e 4 porções diárias, respectivamente), pobre em gordura saturada (7% do aporte total diário de calorias), porém com alta oferta de carboidratos (58% das calorias totais), que provou, em ECR publicado em 1997, reduzir significativamente a pressão arterial (PA), quando comparada a dieta usual americana. A dieta OmniHeart é derivada de outro ECR, publicado em 2005 no JAMA, para definir qual o macronutriente ideal para substituir gorduras saturadas na dieta DASH, mostrando que a permuta do carboidrato (redução do aporte total diário de 58% para 40%) por proteínas ou gorduras insaturadas pode acentuar a redução da PA e melhorar a dislipidemia. 
Assim, 189 pacientes foram randomizados para receber uma das quatro dietas, cada uma durando cinco semanas. Todos os alimentos eram fornecidos aos participantes, que mantinham um diário alimentar, além da monitorização direta do consumo por equipe treinada. No total, 163 pacientes foram incluídos na análise comparativa, considerando a meta de 160 participantes completarem pelo menos duas dietas de alto e baixo índice glicêmico. O estudo teve alta aderência, havendo uniformidade entre os grupos de dieta em relação à perda de peso, consumo de álcool e excreção urinária de Na e K. Observou-se que na dieta com alto aporte de carboidratos (58%), baixo índice glicêmico reduziu a sensibilidade à insulina (de 8,9 para 7,1 unidades, −20%, P =0,002) e promoveu aumento do LDL (139 para 147 mg/dL, +6%, p ≤ 0,001), sem alterar demais desfechos. Quando da dieta de baixo aporte de carboidratos (40%), a redução do índice glicêmico não afetou os desfechos, exceto pela redução dos triglicerídeos de 91 para 86 mg/dL (-5%, p=0,02). Comparando-se as dietas de baixo índice glicêmico e baixo aporte de carboidratos com alto índice glicêmico e alto aporte de carboidratos, não houve alteração na PA, HDL, LDL e sensibilidade à insulina, apenas redução dos triglicerídeos (111 para 86 mg/dL, -23%, p ≤ 0,001). Os quatro tipos de dieta foram associados à redução de 7-9 mmHg na PA sistólica e de 4-6 mmHg na PA diastólica. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • O estudo teve elevado rigor metodológico considerando a intervenção dietética e maneira de aferição da aderência;
  • Compor uma dieta DASH com alimentos de baixo índice glicêmico não melhora fatores de risco cardiovasculares, e poderia, ainda que por mecanismo não bem compreendido, reduzir a sensibilidade à insulina e aumentar o LDL;
  • Como limitação, apontou-se a não avaliação do papel do índice glicêmico em uma dieta convencional;
  • Estes resultados não podem ser extrapolados para a população com diabetes, já que há evidência bem estabelecida nesta do benefício da dieta de baixo índice glicêmico.


Pílula do Clube: em uma população sobrepeso/obesa, hipertensa ou pré-hipertensa e não diabética aderente a uma dieta saudável (tipos DASH ou OmniHeart), selecionar alimentos de baixo índice glicêmico não promove melhora dos fatores de risco cardiovascular.


Discutido no Clube em 05/01/2015.

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