domingo, 15 de março de 2015

Artificial Sweetners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota

Jothan Suez, Tal Korem, David Zeevi, Gili Zilberman-Schapira, Christoph A. Thaiss, Ori Maza, David Israeli, Niv Zmora, Shlomit Gilad, Adina Weinberger, Yael Kuperman, Alon Harmelin, Ilana Kolodkin-Gal, Hagit Shapiro, Zamir Halpern, Eran Segal, Eran Elinav

Nature 2014, 514: 181–186

Trata-se de estudo composto de experimentos em animais e translação dos resultados em estudo em humanos (transversal e quasi-experimento) buscando avaliar o uso de adoçantes artificiais e sua associação com tolerância diminuída a glicose, e mecanismos desta relação. Quatro grandes perguntas foram respondidas com os experimentos propostos, a saber:
1. O consumo crônico de adoçantes artificial não calóricos (AANC) causa tolerância diminuída à glicose (TDG)? AANC foram administrados a camundongos com 10 semanas de vida; os grupos controle receberam água, glicose ou sacarose. Após 11 semanas, os camundongos que receberam AANC apresentaram curvas glicêmicas sugestivas de TDG, diferentemente do grupo controle. O maior efeito foi com sacarina, que foi usada nos experimentos subsequentes. Os mesmos resultados foram encontrados em situação de obesidade (mesmo experimento realizado em camundongos com obesidade por dietas ricas em gordura).
2. A microbiota intestinal é alterada pelo uso de AANC potencialmente causando TDG? Camundongos que receberam AANC foram tratados com antibióticos a fim de modificar a microbiota intestinal. Este tratamento normalizou a curva glicêmica, de forma que ela foi semelhante entre os grupos. Para confirmar efeito causal, foi realizado transplante de fezes de animais usuários de AANC para animais “germ-free”. Os camundongos que receberam fezes dos que consumiram sacarina apresentaram curva glicêmica indicativa de TDG.
3. Qual a composição da microbiota intestinal de animais usuários de AANC? Animais que consumiram sacarina tinham microbiota distinta dos demais, da mesma forma que os animais que receberam transplante de fezes do primeiro grupo. Estes achados mostram que o consumo de sacarina ocasiona disbiose. Também foi confirmado que esta alteração microbiológica leva a alterações na disponibilidade e metabolização de substratos energéticos das bactérias e suas enzimas.
4. O consumo de AANC em humanos determina TDG? Foi realizado estudo transversal com base em preenchimento de questionários de 381 indivíduos não diabéticos. Houve correlação positiva entre o consumo de AANC e parâmetros clínicos como glicemia, peso, circunferência abdominal e TDG. Para avaliação de causalidade, sete indivíduos que não utilizavam AANC consumiram AANC por 7 dias. Quatro deles desenvolveram alteração glicêmica nos últimos dias de consumo. Em análise das fezes, houve alteração da microbiota mais pronunciada nestes pacientes. Foi realizado transplante das fezes destes indivíduos para roedores “germ-free”. A microbiota dos que receberam fezes desses pacientes tornou-se semelhante a dos grupos que receberam sacarina nos experimentos anteriores.
Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Não foram avaliados outros componentes da dieta (exceto dieta rica em gordura);
  •  A dieta em humanos tem maior variação qualitativa que a dos roedores;
  • Não foram comparados os mesmos resultados com menores doses de adoçantes, o que tornaria os resultados mais próximos da realidade;
  • Possivelmente, os resultados em humanos devem-se a uma resposta personalizada (dieta e outros hábitos de saúde).



Pílula do Clube: O uso de adoçantes em camundongos e humanos pode aumentar o risco de tolerância diminuída à glicose. Estes efeitos metabólicos parecem estar relacionados com alteração da composição e função da microbiota intestinal. São necessários estudos epidemiológicos para confirmar os dados.

Discutido no Clube de Revista de 12/01/2015.

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