domingo, 24 de novembro de 2013

Comentário do Clube de Revista de 09/09/2013

Saxagliptin and Cardiovascular Outcomes in Patients with Type 2 Diabetes Mellitus
Scirica BM, Bhatt DL, Braunwald E, Steg PG, Davidson J, Hirshberg B, Ohman P, Frederich R, Wiviott SD, Hoffman EB, Cavender MA, Udell JA, Desai NR,Mosenzon O, McGuire DK, Ray KK, Leiter LA, Raz I

N Engl J Med 2013, 369:1317-26

            Este ensaio clínico randomizado multicêntrico, placebo controlado, duplo cego, com análise intention to treat teve como principal objetivo avaliar a eficácia e segurança da saxagliptina em relação aos desfechos cardiovasculares em pacientes com DM tipo 2 (HbA1c 6,5 – 12,0%) com risco cardiovascular estabelecido ou múltiplos fatores de risco para doença vascular. Foram excluídos pacientes com doença renal crônica pré-dialítica, transplantados renais ou em uso de terapia incretino-baseada nos últimos 6 meses. A randomização foi estratificada de acordo com o risco cardiovascular e função renal, para saxagliptina na dose de 5 mg por dia (metade da dose se TFG < 50) ou placebo, totalizando 16.492 pacientes, seguimento médio de 2,1 anos. O tratamento do DM e doença cardiovascular era feita pelo médico assistente e o uso de análogos do GLP-1 ou inibidores da DPP-4 não era permitido. Não houve diferença entre os dois grupos para o desfecho primário (mortalidade cardiovascular, IAM não fatal ou AVC isquêmico não fatal; HR 1,00; IC95% 0,98-1,12; P=0,99). Houve aumento de hospitalizações por insuficiência cardíaca no grupo da saxagliptina (HR 1,27; IC95% 1,07-1,51; P=0,07). Não houve diferença de mortalidade por qualquer causa ou por causas cardiovasculares, ou de IAM, AVC, hospitalização por angina instável, revascularização miocárdica ou hipoglicemia entre os grupos. Quanto aos desfechos de segurança, ocorreram mais episódios de hipoglicemias no grupo da saxagliptina (15,3% x 13,4%, P<0,001). Os pacientes do grupo placebo tiveram insulina mais frequentemente adicionada ao tratamento (HR 0,70, IC95% 0,62 – 0,79). A queda da HbA1c foi discretamente maior no grupo da saxagliptina ao final do estudo (7,7 ± 1,4% e 7,9 ± 1,5%, P<0,001). Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Não ocorreu redução de eventos cardiovasculares, mesmo com melhora do controle glicêmico no grupo da saxagliptina, podendo ser devido ao curto tempo de exposição à droga, insuficiente para reverter os efeitos em longo prazo da ateroesclerose;
  • Adição de drogas ao tratamento da DM foi maior no grupo placebo, tornando o controle glicêmico semelhante entre os dois grupos;
  • Eventos adversos descritos em outros estudos, como pancreatite, não ocorreram em maior número no grupo saxagliptina neste ensaio clínico.

Pílula do Clube: Neste ensaio clínico randomizado, a saxagliptina não reduziu os eventos cardiovasculares em pacientes com DM e risco cardiovascular estabelecido, mesmo com redução maior da HbA1c.

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