sábado, 28 de setembro de 2013

Comentário do Clube de Revista de 27/05/2013 (2)

Early Metformin Therapy (Age 8–12 Years) in Girls with Precocious Pubarche to Reduce Hirsutism, Androgen Excess, and Oligomenorrhea in Adolescence
Lourdes Ibáñez, Abel López-Bermejo, Marta Díaz, Maria Victoria Marcos, Francis de Zegher

J Clin Endocrinol Metab 96: E1262–E1267, 2011

Este estudo foi uma continuação do ECR descrito acima e foi realizado com o objetivo de avaliar a capacidade do tratamento com metformina precoce versus tardio de prevenir PCOS na adolescência em meninas com pubarca precoce e peso normal-baixo ao nascer. A amostra avaliada foi a mesma do ECR anterior. Ao final do seguimento de quatro anos previsto, todas as meninas do grupo metformina (considerado grupo metformina precoce neste estudo) permaneceram sem intervenção por três anos (total de 7 anos de seguimento). Em contrapartida, o grupo inicialmente sem tratamento permaneceu sem intervenção nos anos 5 e 7 e recebeu metformina 850mg por dia durante o ano 6 (grupo metformina tardia). Os desfechos principais avaliados foram: altura, peso, composição corporal, score de Ferriman-Gallwey para hirsutismo, ciclo menstrual, morfologia ovariana por US, diagnóstico de PCOS (segundo definição do NIH e AES) após o 7º ano. Após o ano 7, o grupo metformina precoce, comparativamente com o grupo metformina tardia, apresentou menor distância para a altura alvo (-2,2±1,2 vs 1,6±1,4 cm; p<0,05), menor IMC (Z score 0,9±0,3 vs 1,7±0,4; p<0,05), menor resistência insulínica (insulinemia 8,5±1,1 vs 12,3±1,5 U/mL, p<0,05; HOMA-IR 1,9±0,3 vs 2,7±0,3, p<0,05), menores níveis de SDHEA (233±21 vs 276±14 µg/dL, p<0,05), menor score de Ferriman-Gallwey (6,9±0,4 vs 10,1±0,8; p≤0,001). Houve ainda maior queda dos níveis de andrógenos quando avaliada a variação nos anos 5 e 6 no grupo metformina tardia vs precoce (androstenediona -15±19 vs 27±14 ng/dL, p para Δ <0,05; testosterona -25±6 vs -5±5 ng/dL, p para Δ <0,05), o que não persistiu após suspensão da droga. Após o sétimo ano, o ganho de gordura abdominal foi semelhante, mas o tratamento precoce com metformina foi acompanhado de redução da relação gordura abdominal visceral/subcutânea (p<0,05) e menor conteúdo lipídico intra-hepático (p<0,05). Mais meninas no grupo metformina tardia apresentavam critérios para diagnóstico de PCOS (critérios NIH em 7 pacientes vs 1 no grupo precoce, p≤0,01), quando considerados hiperandrogenismo clínico e laboratorial (p≤0,05) e oligomenorreia após mínimo de 2 anos da menarca (p≤0,01). O tempo do tratamento com metformina não influenciou os níveis de hormônio anti-mulleriano, tampouco a morfologia ovariana. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • As mesmas limitações descritas sobre o ECR anterior se aplicam a este estudo;
  • Outras limitações se somam, como mudança do protocolo do estudo no seu ínterim e definição por parte dos autores das pacientes que receberiam a intervenção tardia;
  • Ainda não há consenso formal na definição de PCOS na adolescência. É preferível a utilização dos critérios do NIH, como realizado neste estudo.


Pílula do clube: O tratamento precoce com metformina em meninas com pubarca precoce parece prevenir ou atrasar o desenvolvimento de hiperandrogenismo, oligomenorreia e PCOS mais efetivamente que o tratamento tardio.

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