domingo, 19 de maio de 2013

Comentário do Clube de Revista de 22/04/2013


Vitamin A Intake and Hip Fracture Among Postmenopausal Women
Diane Feskanich, ScD, Vishwa Singh, PhD, Walter C. Willet, DrPH, Graham A. Colditz, DrPH

JAMA 2002; 287(1): 47-54.

            Nesta análise da coorte do estudo americano NHS (Nurses Health Study) foi avaliado o efeito do consumo de vitamina A e seus derivados (retinol e beta-caroteno) no risco de fraturas de quadril em mulheres. Foram analisados os dados de 72.337 enfermeiras pós-menopáusicas participantes do NHS (de um total de 121.700), sendo excluídas dessa avaliação mulheres com fratura de quadril prévia, câncer, doença cardíaca, acidente vascular cerebral ou osteoporose. Todas foram submetidas a questionários alimentares semi-quantitativos a cada 4 anos, bem como questionários sobre outras variáveis clínicas (peso, tabagismo, uso de medicações) e foram seguidas de 1980 até 1998 (860.355 pessoas-ano). A partir desses dados foi analisada a taxa de fraturas de quadril (auto-relatada) e sua relação com consumo de vitamina A e seus derivados (separados em quintis). As análises mostraram que a taxa de fratura de quadril aumentava progressivamente de acordo com o quintil de consumo de vitamina A e retinol (na dieta + suplementos), mas não de beta-caroteno. Após ajuste para possíveis variáveis confundidoras o RR para fratura de quadril (primeiro vs. quinto quintil) foi 1,48 (IC 95% 1,05-2,07) para vitamina A, 1,89 (IC 95% 1,33-2,68) para retinol e 1,22 (IC 95% 0,90-1,6) para beta-caroteno. Quando estratificadas para usou ou não de TRH, apenas as mulheres que não fizeram uso da mesma apresentaram maior risco de fratura. Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:

  • Trata-se de uma população de mulheres norte-americanas brancas, o que deve ser levado em conta na generalização dos dados;
  • Apesar dos dados serem obtidos a partir de questionários, a grande amostra e os estudos de validação dos questionários aumentam a força dos achados;
  • O consumo de vitamina A foi atualizado a cada novo ciclo de questionários, aumentando a confiabilidade dos resultados;
  • A interação entre TRH e consumo de vitamina A parece relevante e necessita de mais estudos para melhor compreensão;
  • Quando excluídos os suplementos da análise, o aumento de risco de fraturas se mantém, porém com menor magnitude.

Pílula do Clube: O maior consumo de vitamina A e, em especial, de retinol, está associado com uma maior taxa de fraturas de quadril. Considerando-se as atuais recomendações de reposição de vitamina D (até 2.000 UI ao dia) e as formulações combinadas de vitamina A + D disponíveis no Brasil, parece prudente evitar o uso dessa combinação quando necessária reposição de vitamina D com doses elevada em longo prazo.

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