sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Comentário do Clube de Revista de 14/12/2010

Glulisine Versus Human Regular Insulin in Combination With Glargine in
Noncritically Ill Hospitalized Patients With Type 2 Diabetes
A randomized double-blind study
Christian Meyer, Anna Boron, Elena Plummer, Marina Voltchenok,
Rosemarie Vedda
Diabetes Care 33:2496–2501, 2010
Neste ECR os autores tiveram como objetivo comparar duas insulinas de ação rápida (regular e glulisina) em pacientes com diabete melito tipo 2 durante internação hospitalar. Como insulina basal, os dois grupos utilizaram a insulina glargina. O estudo foi conduzido em um hospital de veteranos e incluiu 180 pacientes, 88 randomizados para utilização de glulisina e 92 para regular. Como resultados principais, os dois grupos apresentaram taxas semelhantes de hipoglicemias (desfecho primário) e o grupo da insulina glulisina apresentou uma discreta melhora no controle glicêmico (glicemia média de 152,6 + 66,6 vs. 160,4 + 70,8 mg/dl; p < 0,0002). Durante a discussão na última terça-feira, diversas limitações do estudo foram apontadas:
  • Interrupção do estudo antes do previsto pela demora na inclusão de pacientes. Com isso, a amostra estudada (n= 180) foi de 1/3 daquela calculada (n = 565 pacientes), portanto, sem poder para avaliar diferenças em taxas de hipoglicemias.
  • Inclusão de novo desfecho primário: está registrado no Clinical Trials somente hipoglicemia (http://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT00528918?term=NCT00528918&rank=1). Na publicação do artigo foi incluído como desfecho primário também a variável controle glicêmico.
  • A diferença no controle glicêmico ocorreu apenas após o 4° dia de internação, momento em que o  número de pacientes diminui de forma importante e desproporcional entre os grupos, o que pode ter levado a diferença encontrada. 
  • Não fica clara a razão para tendência de internação mais prolongada no grupo “insulina regular”, nem as razões pelas quais o controle glicêmico pré-almoço e pré-jantar foram melhores no grupo glulisina (o esperado seria melhor controle pós-prandial com a glulisina e pré-prandial com a regular);
  • Não cegamento dos pacientes, pois as insulinas eram administradas em tempos diferentes em relação a refeição.
Pílula do clube: Considerando-se o controle de hiperglicemia hospitalar com insulina basal e dois tipos de insulinas de ação rápida (regular vs glulisina) não há diferença nas taxas de hipoglicemias. O benefício sobre o controle glicêmico é duvidoso, tendo em vista as limitações apontadas.

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