domingo, 28 de outubro de 2018

Cardiovascular Safety of Lorcaserin in Overweight or Obese Patients


E.A. Bohula, S.D. Wiviott, D.K. McGuire, S.E. Inzucchi, J. Kuder, K.A. Im,
C.L. Fanola, A. Qamar, C. Brown, A. Budaj, A. Garcia‑Castillo, M. Gupta, L.A. Leiter, N.J. Weissman, H.D. White, T. Patel, B. Francis, W. Miao, C. Perdomo, S. Dhadda, M.P. Bonaca, C.T. Ruff, A.C. Keech, S.R. Smith, M.S. Sabatine, and B.M. Scirica, for the CAMELLIA–TIMI 61 Steering Committee and Investigators*

N Engl J Med 2018, 379(12):1107-1117.

A lorcaserina (agonista do receptor 5-HT2C) já provou eficácia em redução de peso, quando comparada com placebo, em pacientes com sobrepeso e obesidade, e o presente estudo foi feito com o objetivo de avaliar a segurança e a eficácia desta medicação. Para isso, realizou-se ensaio clínico randomizado 1:1 (grupo lorcaserina 10mg duas vezes por dia vs. placebo - ambos os grupos recebiam orientação de dieta e atividade física), multinacional. Foram incluídos pacientes com IMC maior ou igual a 27, com 40 anos ou mais e doença cardiovascular definida; ou mulheres com 55 anos ou mais e homens com 50 anos ou mais, com diabetes e pelo menos mais um fator de risco cardiovascular. O desfecho primário de segurança foi eventos cardiovasculares maiores (MACE - morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio e AVC), estimando 460 desfechos para um poder de 95% de definir não inferioridade com margem inferior de 1,4. Se a não inferioridade fosse atingida, o estudo seguia para uma avaliação de superioridade com o desfecho primário de eficácia avaliando o MACE estendido (morte cardiovascular, IAM, AVC, internação por angina instável, por insuficiência cardíaca ou revascularização coronariana).
Foram arrolados 12.000 pacientes, e em 1 ano de seguimento, houve perda ≥ 5% do peso em 38,7% dos pacientes do grupo lorcaserina e 17,4% do grupo placebo com OR 3,01 (IC95% 2,74 a 3,30; P<0,001). Na mediana de tempo de seguimento de 3,3 anos, o desfecho primário de segurança (MACE) teve uma taxa anual de 2% no grupo lorcaserina e 2,1% no grupo placebo, com HR de 0,99 (IC95% 0,85 a 1,14; P<0,001) para não inferioridade. Já o desfecho primário de eficácia (MACE estendido) foi não significativo para superioridade, com uma taxa anual de 4,1% e 4,2% respectivamente, com HR de 0,97 (IC95% 0,87 a 1,07; P=0,55). Eventos adversos sérios tiveram taxas semelhantes nos dois grupos, sendo os mais associados com lorcaserina: tontura, náusea, fadiga, cefaleia e diarreia. Foi feito um subestudo com ecocardiografia, que não mostrou diferença na incidência de nova valvulopatia ou piora de valvulopatia já existente. No Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
·         Pacientes em uso de lorcaserina tiveram perda de peso de em torno de 2,7% por ano; redução dos níveis de triglicerídeos e disglicemia, redução de frequência cardíaca e pressão arterial;
·         A discussão não foi bem desenvolvida no artigo, e não são citadas as limitações do estudo;
·         Ainda não se sabe a segurança em longo prazo do uso dessa medicação;
·         O estudo foi patrocinado pela indústria farmacêutica, que participou desde o desenho do estudo até a redação do artigo;
·         O fato de os pacientes terem perdido peso e melhorado fatores de risco cardiovasculares, mas não diminuído eventos cardiovasculares questiona o real benefício do medicamento.

Pílula do Clube: O uso de lorcaserina promoveu perda de cerca de 3 kg em comparação com placebo, sem aumento ou diminuição na taxa de eventos cardiovasculares em pacientes com sobrepeso ou obesidade, com doença cardiovascular aterosclerótica ou fatores de risco cardiovascular

Discutido no Clube de Revista de 24/09/2018.

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