segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Association Between Achieved Low-Density Lipoprotein Levels and Major Adverse Cardiac Events in Patients With Stable Ischemic Heart Disease Taking Statin Treatment

Morton Leibowitz, Tomas Karpati, Chandra J. Cohen-Stavi, Becca S. Feldman, Moshe Hoshen, Haim Bitterman, Samy Suissa, Ran D. Balicer.

JAMA Intern Med 2016, 176(8):1105-13.

Trata-se de estudo de coorte com o objetivo de avaliar a associação entre os níveis de LDL alcançados e eventos cardiovasculares em pacientes com doença cardíaca isquêmica em uso de estatinas. Foram incluídos pacientes entre 30 a 84 anos com diagnóstico de doença coronariana isquêmica necessitando de prevenção secundária [devido à infarto agudo do miocárdio (IAM), angina instável, angioplastia coronariana percutânea (ACTP) ou bypass coronariano], que possuíam medidas de LDL-c e com aderência (>80%) à terapia de estatinas. Foram excluídos pacientes com hipo ou hipertireoidismo, glicemia jejum >300 mg/dL, LDL-c >300 mg/dL ou triglicerídios >600 mg/dL. Foram obtidos dados demográficos do centro de estatística Israelense e dados de saúde (prontuário, doenças, nota de alta, exames, medicamentos) do Clalit Health Services. Na análise estatística foram usados os teste de qui-quadrado, t de Student e Mann-Whitney para comparação entre os grupos. Os pacientes foram divididos em três grupos de acordo com os níveis de LDL-c alcançados após 1 ano de terapia com estatinas: grupo LDL-c baixo (<70 mg/dL),  LDL-c moderado (70-100 mg/dL) e LDL-c alto (100 a 130 mg/dL). Foi utilizado propensity score para parear as variáveis a fim de garantir uma distribuição mais equilibrada de confundidores entre os grupos, aumentando a comparabilidade entre eles. Antes da aplicação do propensity score, observou-se que o grupo LDL baixo era composto de indivíduos com mais idade, maior proporção de homens, maior prevalência de comorbidades (diabetes, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial), e menor tempo de uso de estatinas do que os grupos LDL-c moderado e LDL-c alto. Após ajuste para o propensity score, não houve diferença na taxa de hazard ratio para eventos cardíacos maiores (MACEs) entre os grupos de baixo e moderado LDL-c, porém houve maior taxa de MACEs (81,4 vs. 73,3 por mil pessoas-ano) LDL-c alto vs. LDL-moderado. Análises de sensibilidade excluindo mortalidade por todas as causas confirmaram resultado anterior. Durante o clube foram discutidos os seguintes pontos:
  • Está bem estabelecido na literatura o benefício do uso de estatinas de alta potência para prevenção secundária de pacientes com doença arterial coronariana, porém, o LDL-c alvo ainda é discutível;
  • Neste estudo observacional, não foi demonstrado benefício em alcançar níveis de LDL-c menor de 70mg/dL;
  • Não foram descritos efeitos adversos associados ao uso de estatinas como mialgia, nefropatia ou desencadeamento de diabetes mellitus;
  • Por se tratar de estudo observacional, apresenta como limitação o viés de seleção e ser baseado em dados de prontuário/banco de dados.


Pílula do Clube: Em pacientes com doença coronariana isquêmica, não parece haver benefício em redução de LDL-c para níveis menores de 70mg/dL. 


Discutido no Clube de Revista de 11/07/2016.

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