segunda-feira, 2 de maio de 2016

Efficacy and safety of degludec insulin: a meta-analysis of randomised trials

Monami M1, Mannucci E.

Current Medical Research & Opinion Vol. 29, No. 4, 2013, 339–342

O análogo de insulina degludeca tem longa ação, com duração de mais de 42 horas, o que se deve a alterações na cadeia beta da insulina (remoção do aminoácido treonina e conjugação do ácido hexadecanodioico com o aminoácido lisina) levando à formação de hexâmeros que se depositam no tecido subcutâneo e após são liberados na forma de monômeros lenta e continuamente para a circulação sistêmica. Este artigo é uma revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados (ECR) que incluíram pacientes com diabetes mellitus (DM) tipo 1 e tipo 2, com duração superior a 16 semanas com usuários de degludeca. Os desfechos principais foram hemoglobina glicada (HbA1c) e episódios de hipoglicemia. Os desfechos secundários foram índice de massa corporal (IMC), glicose em jejum, e doses de insulina. Foram incluídos 4 ECRs comparando degludeca vs. glargina e um ECR comparando degludeca vs. insulina aspart bifásica em regimes diferentes (somente incluído na análise de segurança), totalizando 1.517 pacientes diabéticos em uso de degludeca. Os pacientes incluídos apresentavam no baseline idade média de 52 anos, com duração de DM de 13 anos, HbA1c 8,3%, glicose de jejum 180 mg/dL e IMC 29,3 Kg/m2.
Não houve diferença entre a HbA1c ou IMC do grupo que utilizou ou não degludeca. Os pacientes com DM2 usuários de degludeca apresentaram glicose de jejum menor que os usuários de glargina. Foi utilizada maior dose de insulina nos DM2 usuários de degludeca em relação à glargina. Os DM2 usuários de degludeca apresentaram menos episódios confirmados de hipoglicemia; o mesmo não ocorreu para DM1. Já os pacientes DM1 usuários de degludeca apresentaram menos episódios de hipoglicemias noturnas. Não houve diferença quanto a eventos cardiovasculares maiores e taxa de câncer entre os grupos. Durante o Clube de revista, os seguintes itens foram discutidos:
·         Trata-se de uma metanálise com vários problemas metodológicos (não há descrição da estratégia de busca, apresentação de gráfico Forest plot ou análise de heterogeneidade dos estudos incluídos);
·         Todos os ECR incluídos foram planejados como ‘treat-to-target’, ou seja, as doses de insulina eram aumentadas conforme protocolo, com a finalidade de alcançar glicose de jejum no alvo independente do grupo em que o paciente foi alocado, sendo esperado que ao final dos estudos ambos os grupos alcancem HbA1C semelhantes. Portanto, é impossível afirmar, por estes ECR, que uma insulina possa alcançar um melhor controle glicêmico do que a outra;
·         Não é adequado analisar dados de pacientes com DM1 em uso de múltiplas aplicações de insulina de curta-ação (bolus) conjuntamente com os de pacientes com DM2 em uso apenas de insulina de longa ação;
·         Todos os estudos foram de curta duração (16 e 52 semanas), o que invalida os resultados quanto ao desfecho incidência de câncer.

Pílula do Clube: Esta metanálise indica que o controle glicêmico obtido com degludeca e glargina usando protocolo treat to target é semelhante. Houve menor taxa de hipoglicemia confirmada em DM2 e menor taxa de hipoglicemia noturna em DM1 usuários de degludeca em relação aos usuários de glargina, porém esses resultados devem ser criticamente analisados devido à baixa qualidade metodológica desta metanálise, que envolveu diferentes populações (DM1 e DM2) e tratamentos (basal-bolus vs basal apenas) que intrinsecamente estão associadas a maior ou menor risco de hipoglicemia.


Discutido no Clube de Revista de 28/03/2016.

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