segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Outcomes of Pregnancy after Bariatric Surgery

Kari Johansson, Sven Cnattingius, Ingmar N.slund, Nathalie Roos, Ylva Trolle Lagerros, Fredrik Granath, Olof Stephansson, and Martin Neovius.

 NEJM 2015, 372;814-824

Trata-se de estudo observacional (coorte retrospectiva) que utiliza diversos bancos de dados suecos com a finalidade de avaliar desfechos maternofetais em mulheres submetidas à cirurgia bariátrica (CB). Para isso, gestantes pós-CB foram pareadas com gestantes não submetidas à CB em relação à idade, paridade (nulíparas vs. multíparas), índice de massa corporal (IMC) pré-CB, tabagismo, nível educacional e ano do parto. De mais de 600 mil nascidos na Suécia no período de 2006 a 2011, 1.755 nasceram de mães previamente submetidas à CB. Após exclusão de gemelares, ausência de peso pré-cirúrgico ou falta de controle para pareamento, 596 gestantes pós-CB foram comparadas a 2.356 gestantes sem história de CB. Os desfechos avaliados foram: frequência de diabetes mellitus gestacional (DMG), recém-nascidos grandes para idade gestacional (GIG), pequenos para idade gestacional (PIG), baixo peso ao nascer, macrossomia, prematuridade, natimortos ou com malformação congênita. As pacientes do grupo pós-CB apresentavam idade média de 31 anos, gestação 2 anos após CB, IMC no início da gestação de 30,6 Kg/m² e perda de peso pós-CB de 38Kg (13,8 Kg/m²). Houve menor frequência de DMG (1,9 vs.  6,8%), GIG (8,6 vs. 22,4%) e macrossomia (1,2 vs. 9,5%) e maior frequência de PIG (15,6 vs.  7,6%) em gestantes pós-CB em relação ao grupo não submetido à CB. Houve tendência (P = 0,06) à maior frequência de morte neonatal e natimorto (1,7 vs.  0,7%) em relação ao grupo controle. Quanto maior a perda de peso pós-cirurgia, maior o risco de prematuridade pós-CB. Alguns pontos foram destacados e discutidos no Clube de Revista:
·         Por se tratar de um estudo observacional com base em banco de dados há certas limitações na análise que são minimizadas pelo tamanho da população estudada e pareamento por características-chave associadas ao desfecho;
·         As taxas de DMG devem ser avaliadas com cautela: devido a alterações no trânsito intestinal decorrentes da cirurgia bariátrica, é comum a ocorrência de dumping ou hipoglicemia pós-prandial prejudicando a interpretação do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Não se encontrou na literatura nenhum consenso para o diagnóstico de DMG pós-cirurgia bariátrica;
·         Os pontos de corte utilizados para definição de DMG (TOTG 75g tempo 0’: 126 mg/dL e tempo 120’: 180 mg/dL) diferem daqueles pontos estabelecidos na literatura;
·         O aumento de peso durante a gestação não foi avaliado entre os grupos e este dado é muito importante quando se analisa desfechos materno-fetais como DMG e GIG/macrossomia. Também é desconhecido se e quais gestantes apresentavam complicação gestacional (DMG, prematuridade) prévia que podem aumentar o risco de complicação em nova gestação.

Pílula do Clube: Gestantes pós-cirurgia bariátrica apresentam menor risco de DMG e recém-nascido GIG, porém possuem maior risco de recém-nascido PIG em relação a gestantes pareadas por características pré-gestacionais. Há maior tendência de natimortalidade e mortalidade neonatal (p=0,06) nos filhos de mães submetidas à cirurgia bariátrica.


Discutido no Clube de Revista de 20/07/2015.

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