segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management

Xavier PiSunyer, Arne Astrup, Ken Fujioka, Frank Greenway, Alfredo Halpern, Michel Krempf, David C.W. Lau, Carel W. le Roux,Rafael Violante Ortiz, Christine Bj.rn Jensen, and John P.H. Wilding, for the SCALE Obesity and Prediabetes NN8022-1839 Study Group

N Engl J Med 2015; 373:11-22.

Ensaios clínicos randomizados (ECR) prévios mostraram que o análogo do GLP1 liraglutide promove perda peso em pacientes com DM2 quando comparado a sulfoniluréias, tiazolidinedionas ou insulina glargina. Este ECR multicêntrico controlado por placebo objetiva avaliar a eficácia e a segurança do liraglutide 3,0 mg/dia por um período de 56 semanas, para redução de peso em adultos sem diabetes com sobrepeso e obesidade, hipertensos e/ou dislipidêmicos. Foram excluídos pacientes com histórico de cirurgia bariátrica, pancreatite, câncer medular de tireoide, NEM2 e uso de medicamentos que interferem no peso corporal. O desfecho primário foi perda de peso em relação ao baseline e as proporções de pacientes que perderam ≥ 5% e > 10% do peso corporal. Para um poder de 99%, foi estimada amostra de 3.600 pacientes. Foram arrolados 3.731 pacientes, maioria mulheres, idade 45,1 ± 12,0 anos, peso médio 106,2 ± 21,4 Kg (IMC 38,3 ± 6,4 Kg/m²), 30% em tratamento anti-hipertensivo, 61% com pré-diabetes. Todos receberam, além da injeção subcutânea diária, contendo liraglutide ou placebo, orientação de realizar atividade física (150 minutos/semana) e dieta hipocalórica. Completaram o estudo 1.789 (72%) pacientes da intervenção e 801 (64,4%) do controle. A população analisada (liraglutide: 2.437; placebo: 1.225) foi composta por todos randomizados que receberam pelo menos uma dose da intervenção e que tinham pelo menos uma avaliação pós-baseline, sendo imputados os dados faltantes. Ao final das 56 semanas, observou-se perda de 8,4 ± 7,3 kg (8,0 ± 6,7%) no grupo liraglutide vs. 2,8 ± 6,5 kg (2,6 ± 5,7%) no placebo (−5,6 kg; IC95%, −6,0 a −5,1, P < 0,001). No grupo liraglutide, 63% e 33% dos pacientes perderam 5% ou > 10% do peso corporal, respectivamente. No grupo placebo, 27% e 11% respectivamente, atingiram essas metas. Em relação aos efeitos adversos, 80% dos pacientes do grupo liraglutide experimentaram algum efeito adverso (placebo: 63%), sendo os gastrointestinais os mais comuns (náusea, vômito e diarreia) e motivo de desistência para 6,4% dos pacientes. Náusea ocorreu principalmente nos primeiros 2 meses de tratamento. A taxa de eventos biliares e de pancreatite aguda foi de 2,5% (3 eventos/100 pacientes-ano) e 0,4% (0,4 eventos/100 pacientes-ano) em usuários de liraglutide e placebo, respectivamente. Também se observou redução da pressão arterial sistólica (−2,8; IC95% −3,56 a −2.09 mmHg, P < 0,001) e diastólica (−0,9; IC95% −1,41 a −0,37 mmHg, P < 0,001) e aumento da frequência cardíaca (2,4; IC95% 1,9 a 3,0 bpm, P < 0,001). Durante o Clube de Revista, foram abordados os seguintes pontos:
·         O estudo teve alta taxa de dropout (30%), o que é semelhante a outros que analisaram agentes farmacológicos para perda de peso;
·         A descrição dos resultados não pode ser considerada totalmente adequada, visto que foram apresentadas médias - essas muitas vezes maiores que o desvio-padrão (seria mais apropriada a mediana);
·         Com a intervenção, 92% dos pacientes perderam peso (até 45% do peso do baseline), comparados a 65% dos controles (até 20% do peso do baseline);
·         A perda de peso foi mantida enquanto em uso da droga;
·         O custo e os efeitos adversos do medicamento são limitantes para seu uso, já a via subcutânea não parece sê-lo;
·         Está em execução estudo para avaliação dos desfechos cardiovasculares do liraglutide (NCT01179048) e em fase de publicação outro para avaliação de prevenção primária de DM2;
·         O estudo foi financiado pela indústria farmacêutica.

Pílula do Clube: Injeção subcutânea diária de liraglutide 3mg é mais uma opção no arsenal terapêutico para obesidade, promovendo perda corrigida de 5,4% do peso corporal; porém, às custas de elevada ocorrência de efeitos adversos gastrointestinais e biliares.


Discutido no Clube de Revista de 06/07/2015.

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