quarta-feira, 24 de julho de 2013

Comentário do Clube de Revista de 06/05/2013

Comparative safety and effectiveness of sitagliptin in patients with type 2 diabetes: retrospective population based cohort study
D T Eurich, S Simpson, A Senthilselvan, C V Asche, J K Sandhu-Minhas, F A McAlister

BMJ 2013; 346:f2267

            Neste estudo de coorte retrospectiva, o objetivo foi avaliar a segurança do uso da sitagliptina em relação a hospitalizações e mortes por todas as causas. Para isso, foram incluídos pacientes e dependentes com seguradora comercial de saúde de 50 estados dos EUA, através de bancos de dados de laboratórios integrados e fontes americanas. Foram incluídos novos usuários de antidiabéticos orais entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009, maiores de 20 anos, segurados por plano de saúde empresarial há pelo menos um ano antes do início do estudo, sem ter antidiabéticos outros prescritos (incluindo insulina) nesse período. Foram excluídos pacientes em que a insulina foi a primeira droga prescrita (mas a progressão para esta era permitida) e os usuários de saxagliptina (comercializada nos EUA a partir de julho de 2009). O seguimento foi realizado até o término do seguro, morte ou a data final estabelecida (31/12/09), até 6 anos. Partiu-se de um total de 25.1887 pacientes utilizando antidiabéticos, chegando-se a um total de 7.2738 pacientes após aplicarem-se os critérios de exclusão. O desfecho primário estudado foram hospitalizações por todas as causas e cardiovasculares, e morte por todas as causas. Análises de sensibilidade foram realizadas (ex.: exclusão de pacientes que necessitaram de prescrição de insulina, considerados mais graves). Não houve aumento de hospitalizações ou de mortalidade por todas as causas (RR 0,98; IC95% 0,91–1,06 e RR 1,14; IC95% 0,79–1,65, respectivamente) ou aumento de hospitalizações e morte por causas cardiovasculares (RR 0,92; IC95% 0,79–1,07) nos pacientes que usaram sitagliptina. Não houve aumento dos desfechos quando se realizou análises de sensibilidade ou em grupos de risco (doença renal crônica, doença arterial coronariana).  Durante o Clube de Revista, os seguintes pontos foram discutidos:
  • Trata-se de um estudo observacional com todas suas limitações;
  • Pode ter ocorrido viés de seleção (ex.: uso de sitagliptina mais frequentemente em obesos por seu efeito neutro sobre o peso, apesar de que esse viés fortaleceria os resultados do estudo);
  • Em 91% dos casos, a sitagliptina foi adicionada ao tratamento, o que reflete a prática clínica, já que essa droga não é primeira escolha na maioria dos casos;
  • O aumento da mortalidade e hospitalizações observadas nos pacientes que necessitaram do uso de insulina provavelmente se associa a maior gravidade desses indivíduos.

Pílula do Clube: O uso da sitagliptina pode ser uma opção em pacientes com diabetes tipo 2 que não atingiram bom controle glicêmico com as drogas de primeira linha. O estudo em questão não confirmou os resultados de outros estudos recentes, como redução do risco cardiovascular ou aumento de efeitos adversos como pancreatite e aumento do risco de infecção de vias aéreas superiores.

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