domingo, 24 de novembro de 2019

Ambulatory Blood Pressure Reduction With SGLT-2 Inhibitors: Dose-Response Meta-analysis and comparative Evaluation with Low-Dose Hydrochlorothiazide


Georgianos PI, Agarwal R.

Diabetes Care 2019, 42(4):693-700

Os inibidores da SGLT-2 (iSGLT-2) estão em evidência no tratamento do diabetes tipo 2, após ser demonstrado que conferem proteção cardiovascular e renal. Supõe-se que um dos mecanismos responsáveis por esses benefícios seja a redução de pressão arterial pelo seu efeito natriurético. No entanto, não é sabido se há relação de dose-dependência com essas drogas, nem se efeito é comparável ao da Hidroclorotiazida em dose baixa.  Sendo assim, esta metanálise foi realizada com o objetivo de responder a estes questionamentos e se os iSGLT-2 poderiam melhorar a pressão arterial ambulatorial em 24 horas, durante período diurno e noturno, já que este tipo de monitorização é considerado método mais confiável para predizer eventos cardiovasculares.
        Por meio de uma estratégia de busca, foram identificados ensaios clínicos randomizados (ECR), avaliando o efeito dos iSGLT-2 em pressão ambulatorial, nas plataformas PubMed/MEDLINE, Embase e Cochrane. Foram incluídos ECR com seguimento mínimo de 4 semanas, arrolando pacientes adultos com diabetes, em que o efeito dos iSGLT-2 foi comparado ao placebo ou terapia ativa com medicações antidiabéticas e/ou hidroclorotiazida. Os estudos elegíves foram estratificados de acordo com a dose do iSGLT-2 (baixa versus alta, esta última considerada dose máxima recomendada). Foram incluídos 7 estudos, dos 289 inicialmente identificados, englobando 2.381 pacientes. Apenas em 2 estudos, a hidroclorotiazida (12,5-25mg/dia) foi utilizada como comparador, sendo 65 o número total de participantes randomizados para esta droga. Duração do seguimento variou de 4-12 semanas. Terapia anti-hipertensiva prévia foi avaliada e continuada em 6 estudos, mas modificação da intensidade do tratamento era proibida. Realizada análise do risco de viés, considerado baixo nos estudos. Não foi encontrada heterogeneidade entre eles.
       Comparativamente ao placebo, os iSGLT-2 reduziram a pressão arterial 24h sistólica e diastólica em 3,62 mmHg (IC95% -4,23 a -2,94) e 1,7 mmHg (IC95% -2,13 a -1,26) respectivamente, com maior redução na diurna. Não houve diferença na magnitude da redução da pressão arterial de acordo com dose do iSGLT-2. Na baixa dose, houve redução na pressão sistólica de -3,5 mmHg (IC95% -4,67 a -2,32) e na pressão diastólica -1,62 (IC95% -2,32 a -0,91). Na alta dose, -3,73 mmHg (IC95% -4,57 a -2,88) na pressão sistólica e -1,67 mmHg (IC95% -2,25 a -1,10) na diastólica. Quando hidroclorotizida foi comparada ao placebo, havia redução -3,46 mmHg (IC95% -6,15 a -0,77) na pressão sistólica e -2,23 mmHg (IC95% -4,34 a -0,12), que seria semelhante ao iSGLT-2. Não houve associação entre redução pressórica causada pelos iSGLT-2 e pressão basal. Foi discutido no clube:
  • Esta nova revisão sistemática adicionou apenas um estudo à uma metanálise prévia de 2017;
  • Foi realizada uma comparação indireta entre efeito pressórico dos iSGLT-2 e hidroclorotiazida em dose baixa, de forma inadequada, visto que não foi realizada uma busca abrangente de estudos comparando esta droga ao placebo. Foram analisados apenas os dois estudos incluídos nesta metanálise com n=65 pacientes.


Pílula do clube: o uso de iGSTL-2 demonstrou uma redução média 3,62/1,7mmHg na pressão ambulatorial de 24 horas, que não é modificada com dose da medicação, sendo uma boa alternativa terapêutica em pacientes diabéticos e hipertensos.

Discutido no Clube de Revista de 21/10/2019.

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